É moreno. Acabou.

24 abril 2017


Acabou a insistência do meu coração de querer te amar tanto
, acabou as noites em claro esperando você chegar das festinhas só pra ter a certeza de que chegaria bem, acabou as declarações de amor e os textos gigantes no meio da noite só pra te fazer acordar bem no outro dia. Acabou as crises de ciúmes quando te via conversar com outras garotas, e não comigo. Acabou aquela historinha de mendigar a tua atenção. ACABOU!

E não me culpe por isso, não mesmo. A sua frieza e o seu descaso só me abriram os olhos e me fizeram perceber que somente o meu amor não seria suficiente pra manter nossa relação, se é que podemos chamar de relação o que nós vivemos. Ninguém dá conta de amar por dois, eu não dei conta, me desculpa!

Me desculpa se eu não fui como essas garotas que você encontra na noite e só te procuram por prazer ou interesse. Desculpa moreno se eu te mandava mensagens toda hora perguntando como você tava ou se precisava de algo. Desculpa se me preocupei demais, quando de mim você queria bem menos. E talvez acabei te sufocando com toda essa preocupação. Me desculpa se me doei de corpo e alma por quem só queria viver de aparências. É moreno, desculpa... 

Infelizmente o amor ainda não acabou, ele ainda tá aqui, guardadinho num lugar no qual você nunca se preocupou em cuidar, isso mesmo rs Ele ainda tá no meu coração. Mas não por muito tempo moreno, porque com tudo que passei por você, por tudo que me submeti pra caber na tua vida e nesse teu mundinho egoísta, eu só percebi que o único amor que meu coração merece cultivar, é esse tal de amor próprio... Coisa que eu nunca pude ter ao teu lado!


Colaboradora

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A menina dos olhos capítulo III (final)

20 abril 2017


Para ler o Capítulo I clique aqui.

Para ler o Capítulo II clique aqui.

Ele chegou tentar trazê-la de volta algumas vezes. 

Não bastou.    
Quando ele dirigia para casa e via uma garota de cabelos escuros e estatura média, em pé, próxima a esquina de sua casa, podia jurar por alguns instantes ser a Laura.       
Mas logo percebia que a moça não era tão pequena quanto ela.        
Em uma manhã nublada de domingo, corria no parque e de longe avistou uma garota de blusa listrada, com um livro na mão e sentada em baixo de uma arvore.
Infelizmente os cabelos de Laura eram mais escuros.

Laura...

Laura, conforme os anos se passavam, parecia cada vez mais um sonho distante.

                                                               
                                                                             ***
O relógio para a hora do trabalho acabara de despertar, e para a infelicidade de Kaio ele não havia dormido nem por duas horas direito. Desde que Laura se foi a insônia o tomava na maioria das noites. Já havia um tempo que ele não tentava trazê-la de volta, porém viu uma foto dela perdida no computador essa madrugada e com certeza foi o principal fato para não conseguir dormir tão bem.

 A vida de Kaio caminhava para várias conquistas, ele já morava sozinho, já havia terminado a faculdade de psicologia, aberto sua própria clínica e agora estava pronto para mais uma aventura. A caminho do trabalho ele passaria em uma loja de malas, faltavam apenas três dias para o seu terceiro intercâmbio, dessa vez era na América do Norte, iria pro Canadá fazer uma especialização na área de comportamental.

Os dias passaram rápido demais e quando menos percebeu já estava em um vôo para o Canadá. Não sabia ao certo o que sentia, era uma mistura de felicidade, ansiedade e expectativas boas, mas se Kaio tinha certeza de algo era que essa viagem traria muitas aventuras e ele estava disposto a viver cada momento.

Logo na entrada do hotel ele percebia a beleza do lugar, a música clássica tocando, o lustre do teto conversando com o carpete em tons de marrom e tudo era muito agradável. Após fazer o check-in e deixar as malas no quarto, resolveu que iria passar na cafeteria logo do outro lado da rua, até porque era final de semana e suas aulas começariam na segunda, gostaria de aproveitar um pouco da cidade antes de focar nos estudos. Ficou algumas horas por lá, leu alguns capitulo do livro que já estava para terminar, abriu o moleskine e fez algumas anotações, experimentou alguns capuccino, observou a neve começando a cair e quando menos percebeu já era fim de tarde.

Ao lado do café havia uma padaria bastante movimentada, já era 17h30 da tarde e fazia algumas horas que Kaio não se alimentava. Ao entrar na padaria uma moça com um cachecol preto, sentada perto da janela o chamou a atenção. Deve ser mais uma daquelas visões quanto a Laura afirmou para si mesmo. Pediu alguns pães de queijo para viagem, levaria para comer no quarto, estava um tanto quanto cansado da viagem.

Na fila para pagamento sentiu que alguém o tocou no ombro e para a sua surpresa ao se virar ele teve a visão que nunca saberá lidar. Laura, ele não estava enganado a moça sentada na mesa ao lado era ela. Antes que ele pudesse falar qualquer coisa ela o abraçou como nunca, ele podia sentir o cheiro de shampoo em seu cabelo macio e o coração batendo acelerado - o que não era tão diferente do dele. Laura contou que também estava no Canadá para estudar, ambos estavam com o coração alegre.

Eu sei que já não nos falamos há alguns anos, mas você já deve saber que não te esqueci desde que a deixei ir. Eu tenho tanto para contar e sei que você também deve ter. Eu ti vi em tantos lugares, mas para minha infelicidade era só a minha mente tentando me pregar uma peça. Sim, doeu muito e ainda dói pensar que talvez não tenhamos tanto em comum para compartilhar. Eu quis tanto te ligar e contar que amei a terceira faixa do novo disco do Maroon 5, mas hesitei, não queria quebrar a promessa de deixar o controle nas mãos do universo. Sabe aqueles bolinhos primavera que você tentou me ensinar? Então, eu aprendi a fazer. Sabe aquele lance de seguir em frente e amar outra pessoa? Eu falhei na missão, digo, nunca deixei o caminho livre para que alguém entrasse. E todos esses anos me fiz a mesma pergunta todas as manhãs: — Será que ela já está pronta para voltar?

Acho que já esperamos muito! — Laura afirmou com toda a certeza que tinha dentro de si tocando a mão dele em cima da mesa.  

Os olhares se encontram como naqueles finais de filme que você fica com um “gostinho de quero mais” e Kaio tirando o cabelo dela do rosto finaliza aquela tarde com um pôr do sol lindo, um beijo sincero e muito amor.




Eu achei que você merecia saber

19 abril 2017

  
Eu achei que você merecia saber
Hoje o dia amanheceu rápido demais, as duas horas de sono, foram suficiente - segundo a minha insônia. Virei de um lado para o outro, até tentei esvaziar minha mente, em busca de descanso, porém só me restava esperar que o despertador das 06h40 me desse um choque de realidade para responsabilidades de uma vida adulta.

Eu só quero te agradecer. Obrigada por me fazer entender que eu posso ser quem eu sou, que tudo bem ficar mal de vez em quando e até chorar em público. Foi assim que comecei minha última mensagem. Lembra? Obrigado por me fazer perder o medo, por me passar segurança suficiente para estar entregue cem por cento ao “nós”.
Obrigada por permitir que eu me a apoia-se em você após aquele tombo, eu nem sei se iria conseguir andar novamente sem sua ajuda e ainda assim me mostrar que sou auto-suficiente. Que posso ser mais forte do que acredito. Por me fazer amadurecer em uma proporção de anos.        

Grata por ter me tirado para dançar naquela primavera. Meu coração estava em pedaços e ainda assim dançávamos em cima dos escombros. Obrigada por me fazer sorrir, mesmo odiando aquele lugar. Por me bagunçar inteira por dentro naquela noite de outubro.        

Sério, amor (se você me permite chama-ló assim), obrigada por me deixar caminhar sozinha agora, fazendo com que tudo isso fosse sinônimo do amor que sentia por mim. Me enxergando de um jeito tão único, me aceitando e não tentando me mudar. Por colaborar com minha estante de livros, mesmo sabendo que eu nem comecei a ler o anterior.

Lembro que quando começamos eu estava preste a terminar a faculdade. Obrigada pelas a noites em claro junto ao seu computador me ajudando a revisar mil vezes o trabalho final, graças ao meu metodíssimo. Obrigada também por inspirar meu discurso de oradora, a propósito, você estava lindo na minha colação.

Obrigada por não se importar com os apelidos carinhosos, que a cada dia se transformavam em diminutivos, sim era possível – pequinininha. Você sempre me dizia que meus olhos eram ainda mais verdes quando eu chorava, obrigada por isso também. Cada detalhe me fazia esquecer as feridas que eu carreguei ao longo do tempo, e você é culpado por amenizar isso em mim.

Gratidão pelos fins de noite com a janela aberta, luz ambiente e música que acalma. Pela respiração intensa, dedos entrelaçados e aquele “beijo no olho”. Obrigada. Com todos esses “obrigadas”, eu entendi que quando se ama, a gente deixa ir, quer ver bem e feliz.
Por fim obrigada pelas a noites em claro, sem elas eu não teria tantos textos inspiradores. E obrigada principalmente por permitir que nossa história fosse intensa, afinal de contas esse texto só está sendo escrito por sua culpa.


Obrigada, do fundo do meu coração. (por mais que você diga que no fundo do coração só tem sangue)

Ele, e as digitais permanentes

05 abril 2017



Naquela noite que meu sentir não fez sentido, você quis me convencer que ele era só mais uma paranoia. Eu não pude te provar, não tinha nada a ser provado, estava nítido.
Não pude evitar, mas desde aquele instante, meu coração já não era mais seu.
A ligação rompeu-se.
Tentei por um tempo, fazer com que nossos dedos se entrelaçassem naquele laço perfeito, mas a tentativa foi falha. E moço, seja sincero, o que tinha de errado?
Nunca pude ouvir suas dores, sempre se apresentou a mim como um borrão incompreensível... Não havia transparência.

Eu conhecia mais suas analogias do que você!
Sabia de cor e salteado suas expressões, e reconhecia o tom da sua voz quando mudava e adaptava-se com seu sorriso. Mas bem, isso nunca foi o suficiente pra mim, eu queria ver seu coração. Você não deixava, dizia estar tão exposto a mim, no entanto, sabemos da sua dificuldade de abrir-se. Não te julgo, sempre foi você, só, com seus pensamentos.
É trabalhoso aprender confiar o que sentimos a outrem, nem todos se sensibilizam com as nossas dores; a desconsideração é mais doida do que guardar tudo pra si mesmo.

Apesar de tudo, queria te ter por aqui, mesmo incompreensível, sua presença trazia conforto mesmo sendo um caos. Não me importava em viver na sua bagunça, contanto que você aceitasse a minha.
Mas... Você se foi.
Eu também fui embora da sua vida.
É duro admitir, porém lá no fundo sabemos quando alguém já não pode fazer parte do nosso quebra cabeça. Tentamos encaixar suas peças, mas o papel dela já preencheu o espaço que precisava.

Então... Obrigado por existir em mim em um curto tempo, a pessoa que me tornei tem um pouco de ti.
Você me tocou, e desde aquele momento pra sempre terei suas digitais.

A Menina dos Olhos - capítulo II

26 março 2017

Foto:Tumbrl
Para ler o Capítulo I clique aqui.

Para ler o Capítulo III clique aqui.

Alguns meses se passaram e as conversas só aproximavam um do outro, fazendo  com que toda manhã fosse um recomeço, o coração dele conhecia mais dela todos os dias. Compartilhavam muitos objetivos, até que Laura o conta sobre uma viagem que faria ao Rio de Janeiro, a cidade preferida dele no mundo inteiro, o que resultou que Kaio pode ajuda - lá antes e durante a estadia dela por lá. Desde as compras das passagens até os pontos turísticos que visitaria, tendo sua opinião sempre.
Após esse momento, as conversas se tornaram mais fortes e consolidadas. Se atraim por serem parecidos e se conheciam por conhecerem a si mesmo tão bem. Tudo caminhava como ele esperou que fosse, mas em contrapartida chegou o dia em que ela precisou contar algo que o deixaria chocado. Sim, o coração dela pertencia a outro rapaz, pelo menos era o que ela acreditava naquele momento. Kaio não sabia o que fazer, precisou respirar fundo, pensar em tudo que tinha acontecido, até porque todos os momentos que tiveram, independente de terem sido simples foram marcantes para a vida de ambos. A impressão era que o mundo do qual os dois construiram juntos, silênciou por algumas horas, até entenderem o que estava acontecendo.

00h47 — Laura? Está acordada?
00h48 — Sim, não consigo dormir.
00h48 — Como tudo isso aconteceu? — Kaio falava a respeito da ultima conversa.       

00h49 — Eu não consigo explicar Kaio, as coisas simplismente foram acontecendo ao natural, sabe?

00h50 — Sim, eu sei.
00h50 — E o que passa em sua cabeça agora?    
00h51 — Estou pensando se tudo o que vivemos foi mesmo real — logo Kaio voltou ao pensamento inicial, como se fosse apenas um sonho de verão. 

Amei cada instante ao seu lado, o jeito como você me respondia através de áudios, sendo a garota mais gentil do mundo, a forma como nossos olhares se encaixavam, o seu sorriso largo que eu fazia questão de ressaltar em todos nossos momentos, sua companhia que sempre me pareceu o melhor lugar para se aconchegar, as suas mensagens de bom dia que me faziam esquecer qualquer conflito interno que eu pudesse ter... Ouvi em algum lugar que o silêncio é o barulho da mente e acho que é exatamente isso que está acontecendo comigo agora. E você o que está pensando?  

00h59 — Penso que preciso me mudar de você. Mas eu não quero!        — ela disse com uma profunda tristeza no peito. — Passei a semana reescrevendo esse dialogo na minha mente. Não queria que nenhum de nós saísse machucado. Pensei tanto que acabei tendo um sonho incomum. Sonhei que nos reencontrávamos depois de alguns anos, você estava super bem, e sorria bastante. Por fim, percebemos que havíamos esperado demais.
01h00 — Tudo bem Laura. Seguiremos em frente, deixando que a vida nos ajeite. Torço para que o universo arranje um jeito de fazer com que nos esbarremos por ai. E se por acaso você passar alguma vez pela a rua do meu coração, não êxite em tocar a campainha, eu prometo fazer de tudo para que você fique.   — Ele falou sem questionar, sem colocar nenhum respaldo para que ela mudasse de ideia quanto a deixa-lô.
Kaio não conseguia sentir muita coisa, mas ele corou sozinho e quando percebeu deixou um sorriso meio torno escapar, sendo esse sorriso o simbolo da esperança que carregava dentro dele.           
01h17 — Até breve Kaio.

E partir desse dia decidiram não conversar mais, por motivos óbvios.

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