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  • Ele com certeza não era o amor da minha vida.

    28 novembro 2017

    (foto: pinterest)
    Não parece amor, não nos olhamos e nos conectamos da primeira vez que nos vimos. Não nos conhecemos enquanto esbarrávamos um no outro na balada. E ele não quis me pagar um drink quando por acaso conversamos naquele bar, afim de interesses posteriores.
    E eu não senti algo diferente quando nos vimos pela quarta vez, nem quis beija-lo ou tocar suas mãos na décima vez que nos encontramos. Costumo falar que as coisas entre a gente foram gradativas, sem beijos apaixonados logo de cara, sem olhares fugazes daqueles que costumam nos ler por dentro.

    Sem nenhum sentimento exacerbado que se cria no primeiro encontro.
    O cara do bar, com certeza não é o cara dos meus sonhos, não corresponde nenhuma das minhas tolas idealizações de “homem perfeito”, e ele de fato não faz esforço nenhum para isso.
    O que o faz alguém muito mais especial do que se quisesse me impressionar e por fim mudar sua essência por alguém tão humano quanto ele. Mas quer saber? Com o tempo a gente aprende que não existe ninguém perfeito. 

    Quanto mais eu conheço o moço do bar, mais percebo o quanto ele está distante do que idealizei a vida inteira. Mas tudo bem, ele não precisa ser quem eu quero, muito menos quem ele não é.  E em meio a toda essa contradição fluímos.
    Nada de especial eu  ainda pego ônibus lotado de mal humor nas segundas-feiras, não me preocupo em me arrumar um pouquinho mais para o caso de nos esbarrarmos e muito menos fico esperando por mensagens dele.

    Costumo dizer para os meus amigos que me permitir no que vivemos, foi um devaneio enquanto a vida tomava o controle de tudo. Não foi amor, não é amor, e eu espero que a gente só se dê conta disso em um futuro do qual, ambos tenham força suficiente para abraçar o propósito.
    Foi diferente, foi mais que amor, foi olhar em direções opostas e ainda assim dar atenção para o que era de fato bom. Foi ouvir e falar sobre trabalho e coisas chatas que a maioria das pessoas costuma ignorar nos primeiros encontros. Mas foi apenas isso.

    Ele com certeza não tinha “nada haver” comigo. Mas de fato isso foi o que me atraiu, estava cansada de paixões mentirosas. No entanto, a nossa contradição começava a aparecer nas noites sem sono, nas músicas que me apresentava, no cheiro de casa limpa.

    E o fato de não romantizarmos o amor, não nos fez imperfeitos um para o outro. Posso estar sendo redundante, mas nos acostumamos com paixões intensas, amores a primeira vista e todos aqueles sentimentos que em uma maioria predominante é mentiroso e ilusório.
    O amor passou de escolha, a um sentimento frágil, do qual  a gente assiste nos filmes e se concretiza na literatura romanesca. Esbarramos-nos trilhões de vezes até por fim permitir que o que ainda não é amor, talvez se torne.
    Não teve nada de especial, não foi romântico nem intenso, mas foi completamente honesto.

    O “romance” que eu achei ser apenas um encontro, foi consolidado em nós.  Eu não precisei sentir aquela saudade louca, não precisei olhar o celular a cada cinco minutos a espera de um “boa noite”. Não precisei tornar o que tínhamos de bom em um sentimento doente. Até porque os momentos juntos eram uma carga tão positiva que supria qualquer migalha que eu poderia me submeter.

    Dia desses, o moço do bar me perguntou se dois corações poderiam ter a mesma batida, na hora confesso não ter muito o que responder.  Mas hoje digo, podemos ser a maior contradição, eu com meu coração jovem optar por sair e fazer programas não muito agradáveis, e ele com um coração experiente preferir um fim de tarde ao pôr do sol. Quanto durou esse amor, que não não era amor? Não faço ideia, não me atentei aos dias. Mas estou certa que durou suficiente para ambos.

    No entanto isso só me conclui que dois corações podem não bater de forma igual. Mas é completamente possível estar no mesmo ritmo. Isso se chama harmonia.



    Você demorou demais

    02 maio 2017

    foto: pinterest

    — Alô?
               
    — Olá.  
                         
    — Pensei que nunca iria me atender. O que houve? 
                        
    — Você demorou demais. 

    — Poxa Ana, não passou um dia que não pensei em você. Eu disse que precisava colocar as coisas no lugar primeiro.
            
    — E eu te dei o seu tempo. Para ser honesta, talvez eu nunca te esqueça de verdade, porque nosso amor era especial...  
                    
    — Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci e preciso de você.
                   
    — O que você está falando Arthur? Tínhamos tantos planos, eu confiava no nosso amor, quase compramos aquele apartamento juntos, mas ao longo do caminho você decidiu por nós, parou de acreditar no nosso futuro e escolheu a vida de solteiro e os benefícios que ela te trazia. 

    — Mesmo que não acredite, eu também sinto por isso. Sinto por ter te deixado ir, e o que mais me dói é lembrar-me do seu rosto entrando naquele carro e indo embora com parte de mim.   

    — Acorda, não pode tentar me trazer de volta agora. Você nem imagina, mas naquele dia alguns vizinhos até bateram na minha porta para perguntar se estava tudo bem.                   
    — Eu nunca quis que você fosse embora.
                   
    — Você não me deixou escolha.   
                 
    — Eu odeio ter que imaginar você sozinha e perdida naquele quarto. Mas eu também não tive escolha, precisei te deixar ir. Ambos estávamos cansados e machucados. Não queria ter que acabar muito pior. Então, peço que não chore mais.

    — Foi a última vez sabe garoto? Eu chorei, chorei para valer, sofri e vivi o luto naquela noite. Olhava pela a janela a cada cinco minutos, acreditando que você tentaria mudar o enredo, que você a qualquer momento interfonaria pedindo para subir. Mas tudo que eu ouvi naquele dia, foi o meu silencioso choro. 
            
    — Eu sou um cara de sorte. Conheci o amor da minha vida. A mulher que me fez ser melhor, para mim mesmo e para o mundo. Por mais que você me odeie não posso deixa - lá ir. Não acho que poderei encontrar outro amor, tão grande ou tão intenso quanto o nosso.   

    — Eu te esperei por dias, semanas e até alguns meses. Mas depois de um tempo resolvi que daria uma chance para o amor próprio, sinto lhe dizer mais estamos juntos agora.     

    É moreno. Acabou.

    24 abril 2017


    Acabou a insistência do meu coração de querer te amar tanto
    , acabou as noites em claro esperando você chegar das festinhas só pra ter a certeza de que chegaria bem, acabou as declarações de amor e os textos gigantes no meio da noite só pra te fazer acordar bem no outro dia. Acabou as crises de ciúmes quando te via conversar com outras garotas, e não comigo. Acabou aquela historinha de mendigar a tua atenção. ACABOU!

    E não me culpe por isso, não mesmo. A sua frieza e o seu descaso só me abriram os olhos e me fizeram perceber que somente o meu amor não seria suficiente pra manter nossa relação, se é que podemos chamar de relação o que nós vivemos. Ninguém dá conta de amar por dois, eu não dei conta, me desculpa!

    Me desculpa se eu não fui como essas garotas que você encontra na noite e só te procuram por prazer ou interesse. Desculpa moreno se eu te mandava mensagens toda hora perguntando como você tava ou se precisava de algo. Desculpa se me preocupei demais, quando de mim você queria bem menos. E talvez acabei te sufocando com toda essa preocupação. Me desculpa se me doei de corpo e alma por quem só queria viver de aparências. É moreno, desculpa... 

    Infelizmente o amor ainda não acabou, ele ainda tá aqui, guardadinho num lugar no qual você nunca se preocupou em cuidar, isso mesmo rs Ele ainda tá no meu coração. Mas não por muito tempo moreno, porque com tudo que passei por você, por tudo que me submeti pra caber na tua vida e nesse teu mundinho egoísta, eu só percebi que o único amor que meu coração merece cultivar, é esse tal de amor próprio... Coisa que eu nunca pude ter ao teu lado!


    Colaboradora

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    A menina dos olhos capítulo III (final)

    20 abril 2017


    Para ler o Capítulo I clique aqui.

    Para ler o Capítulo II clique aqui.

    Ele chegou tentar trazê-la de volta algumas vezes. 

    Não bastou.    
    Quando ele dirigia para casa e via uma garota de cabelos escuros e estatura média, em pé, próxima a esquina de sua casa, podia jurar por alguns instantes ser a Laura.       
    Mas logo percebia que a moça não era tão pequena quanto ela.        
    Em uma manhã nublada de domingo, corria no parque e de longe avistou uma garota de blusa listrada, com um livro na mão e sentada em baixo de uma arvore.
    Infelizmente os cabelos de Laura eram mais escuros.

    Laura...

    Laura, conforme os anos se passavam, parecia cada vez mais um sonho distante.

                                                                   
                                                                                 ***
    O relógio para a hora do trabalho acabara de despertar, e para a infelicidade de Kaio ele não havia dormido nem por duas horas direito. Desde que Laura se foi a insônia o tomava na maioria das noites. Já havia um tempo que ele não tentava trazê-la de volta, porém viu uma foto dela perdida no computador essa madrugada e com certeza foi o principal fato para não conseguir dormir tão bem.

     A vida de Kaio caminhava para várias conquistas, ele já morava sozinho, já havia terminado a faculdade de psicologia, aberto sua própria clínica e agora estava pronto para mais uma aventura. A caminho do trabalho ele passaria em uma loja de malas, faltavam apenas três dias para o seu terceiro intercâmbio, dessa vez era na América do Norte, iria pro Canadá fazer uma especialização na área de comportamental.

    Os dias passaram rápido demais e quando menos percebeu já estava em um vôo para o Canadá. Não sabia ao certo o que sentia, era uma mistura de felicidade, ansiedade e expectativas boas, mas se Kaio tinha certeza de algo era que essa viagem traria muitas aventuras e ele estava disposto a viver cada momento.

    Logo na entrada do hotel ele percebia a beleza do lugar, a música clássica tocando, o lustre do teto conversando com o carpete em tons de marrom e tudo era muito agradável. Após fazer o check-in e deixar as malas no quarto, resolveu que iria passar na cafeteria logo do outro lado da rua, até porque era final de semana e suas aulas começariam na segunda, gostaria de aproveitar um pouco da cidade antes de focar nos estudos. Ficou algumas horas por lá, leu alguns capitulo do livro que já estava para terminar, abriu o moleskine e fez algumas anotações, experimentou alguns capuccino, observou a neve começando a cair e quando menos percebeu já era fim de tarde.

    Ao lado do café havia uma padaria bastante movimentada, já era 17h30 da tarde e fazia algumas horas que Kaio não se alimentava. Ao entrar na padaria uma moça com um cachecol preto, sentada perto da janela o chamou a atenção. Deve ser mais uma daquelas visões quanto a Laura afirmou para si mesmo. Pediu alguns pães de queijo para viagem, levaria para comer no quarto, estava um tanto quanto cansado da viagem.

    Na fila para pagamento sentiu que alguém o tocou no ombro e para a sua surpresa ao se virar ele teve a visão que nunca saberá lidar. Laura, ele não estava enganado a moça sentada na mesa ao lado era ela. Antes que ele pudesse falar qualquer coisa ela o abraçou como nunca, ele podia sentir o cheiro de shampoo em seu cabelo macio e o coração batendo acelerado - o que não era tão diferente do dele. Laura contou que também estava no Canadá para estudar, ambos estavam com o coração alegre.

    Eu sei que já não nos falamos há alguns anos, mas você já deve saber que não te esqueci desde que a deixei ir. Eu tenho tanto para contar e sei que você também deve ter. Eu ti vi em tantos lugares, mas para minha infelicidade era só a minha mente tentando me pregar uma peça. Sim, doeu muito e ainda dói pensar que talvez não tenhamos tanto em comum para compartilhar. Eu quis tanto te ligar e contar que amei a terceira faixa do novo disco do Maroon 5, mas hesitei, não queria quebrar a promessa de deixar o controle nas mãos do universo. Sabe aqueles bolinhos primavera que você tentou me ensinar? Então, eu aprendi a fazer. Sabe aquele lance de seguir em frente e amar outra pessoa? Eu falhei na missão, digo, nunca deixei o caminho livre para que alguém entrasse. E todos esses anos me fiz a mesma pergunta todas as manhãs: — Será que ela já está pronta para voltar?

    Acho que já esperamos muito! — Laura afirmou com toda a certeza que tinha dentro de si tocando a mão dele em cima da mesa.  

    Os olhares se encontram como naqueles finais de filme que você fica com um “gostinho de quero mais” e Kaio tirando o cabelo dela do rosto finaliza aquela tarde com um pôr do sol lindo, um beijo sincero e muito amor.




    Fatos Sobre Ela

    19 março 2017

    Foto: Pinterest
    O dia era frio, era ventania e era fim de tarde. Bela se encontrava no meio de tudo aquilo. Tinha sorriso no rosto, mas em contrapartida, sem querer, me apresentou a uma tempestade no coração.
    Ela era como um labirinto sem fim, do qual todos os dias eu travava batalhas para desvendá-lo. Algumas manhãs eu avançava outras retrocedia. Um dia eu a conquistava no outro machucava seu coração, que por sinal já havia sido quebrado mais vezes do que se podia imaginar. Logo, fui o culpado da sua insônia.

    — Perdoe-me Bela. Eu posso ouvir a tristeza em seus batimentos cardíacos, o som que vem de dentro só ressalta o quão insensível sou. Falhei, sim eu falhei na missão de protegê-la de si mesma.

    Ela não acreditava mais no amor, dizia que era impossível ele acontecer.  Se apegou tanto, que acabou se afogando em meio a tantas frustrações. Quis ser menor para caber no peito de alguém que jamais a cuidaria, alguém que já havia decidido partir mesmo antes de chegar. Quis acreditar em amores que não a pertencia, acreditou no que seus pais sentiam um pelo o outro, acabou. Acreditou no amor de dois amigos intensamente apaixonados, acabou. Acreditou até no casal que se olhava em meio ao café da manhã na padaria, semanas depois o rapaz entrou de mãos dadas com outra, acabou antes mesmo de começar.

    Bela parecia estar desligada do mundo. Não que ela fossem assim desde sempre, mas ultimamente precisará ler no minímo umas 3 vezes o parágrafo daquele romance (e isso não é uma metáfora) pelo o simples fato de não conseguir se concentrar.
    Ao seu lado meu coração acelerava e eu sentia como se qualquer pessoa que se aproximasse pudesse ouvi-lo, o que me fazia sentir um pouco aflito.
    Que saber moça, para ser honesto você me ajudou a melhorar, me mostrou um mundo do qual vale a pena viver com alguém, um mundo com propósitos e objetivos, do qual outrora não passava de aventuras perigosas, fugacidades momentâneas e pessoas vazias. Você foi a resposta das perguntas que nem eu sabia que tinha.           

    — Você ainda não entende, mas eu amo você.

    A Menina dos Olhos - Capítulo I

    11 março 2017


    Para ler o Capítulo II clique aqui.

    Para ler o Capítulo III clique aqui.

    “Não posso negar que ainda tenho um sentimento enorme dentro do peito. Apesar de todo esse tempo que passamos longe, a saudade continua, desde o dia que deixei você ir. Eu logo precisei ir também. Eu saí de casa, conheci várias garotas, tentei amar — mas não foi como o esperado, me formei na faculdade, consegui um emprego incrível, comecei a morar sozinho, me desprendi de várias inconstâncias, mas ainda assim vivia como se faltasse um pedaço de mim”.
    — Kaio.

    Kaio acabara de chegar dos Estados Unidos, onde havia tido experiências incríveis. Ele não esperava dar a sorte de ser convidado para um acampamento, no qual ele não fazia ideia do que o esperava. Despediu-se dos pais, recebendo a benção dos mesmos e assim entrou no ônibus para o tão esperado acampamento. O rapaz era um tanto quanto tímido na frente de pessoas que não conhecia. Sentou-se ao lado de uma senhora no ônibus e com isso mantivera-se calado até chegar a uma das paradas em um restaurante, antes do seu destino final – o acampamento.

    Ao tempo que os quilômetros iam sendo percorridos Kaio se deu conta que não parava de observar uma moça sentada na primeira cadeira do ônibus. Ela tinha cabelos escuros, era de baixa estatura (o que fazia com que o banco do ônibus parecesse grande demais para ela), seus pés mal tocavam o chão, logo os colocou em cima do banco, ao contrário dele ela parecia está bem familiarizada com o pessoal. E o que ele mais percebia era a cena do sorriso largo que ela soltava em quanto surgiam às piadas em grupo. Kaio tivera vontade de sorrir por isso, no entanto sua timidez não deixava, então se conteve por dentro, afinal não conhecia ninguém direito e nem imaginaria que aquele sorriso faria algumas mudanças dentro dele.

    O acampamento chegou ao fim, e durante todo o final de semana, não tiveram nenhuma oportunidade de se aproximarem, o que fez com que Kaio saísse dali com alguns questionamentos – será que não é apenas um reflexo daqueles filmes em que assistíamos durante a adolescência? Do qual conhecemos alguém especial e por medo e insegurança escondemos o que sentimos.

    Alguns dias, semanas, meses se passaram e Kaio continuara a lembrar da “menina dos olhos” – é assim que ele costumava chama - lá. E por incrível que pareça ele sabia as reuniões que ela freqüentava, logo sabia onde encontra-lá. Até que decidiu tentar ir atrás do “grande talvez” dele. Kaio se aproximou dos amigos de Laura, na expectativa que em algum desses encontros acabassem se conhecendo. Mas não deu muito certo, então se permitiu esperar na vida e no tempo natural das coisas. Continuou a freqüentar as reuniões que ela estava, afinal, ele gostava do lugar e do ambiente. Sempre a observava. E o que mais o atraia nela, era a forma com que cuidava das coisas, as atitudes dela o fascinavam, era muito bom para os olhos. Estava sempre cedo por lá, organizando as cadeiras, conferindo se as pessoas que havia convidado tinham chegado e tudo aquilo fazia com que o coração dele ficasse orgulhoso, mesmo não a conhecendo. Tudo o que ele previa parecia mais solido a cada encontro, ela era alegre, divertida, com um senso de humor incrível, com um caráter brilhante e sempre dedicada a tudo aquilo que fazia.

    Felizmente para Kaio houve uma dessas reuniões em que havia poucas pessoas, e para sua sorte, Laura estava lá também. Ele podia sentir o cheiro agradável dos lindos cabelos longos dela. Blusa branca e calça jeans, a combinação perfeita da simplicidade que ele enxergava nela. Deus só podia ter caprichado muito nessa garota. O mundo parecia está em câmera lenta agora, passando uma trilha sonora que apenas ele escutava.

    Tirou de dentro de si uma força que jamais imaginara ter, passou por cima da vergonha e das inseguranças e foi. Ele sabia que a vida tinha preparado o melhor momento para isso. Não foi uma conversa muito longa mas foi suficiente para perceber que todo o sacrifício que podia vir pela frente seria vencido, pela pessoa incrível que ela era. Trocaram telefone e começaram a conversar diariamente, ele conheceu a pessoa mais incrível que a vida o poderia apresentar, começou a ver quem ela era de verdade, e quer saber? Ela era incrível, não se importava em passar horas e horas conversando sobre música, faculdade, planos pro futuro, objetivos e comida. Ela não se incomodava se ele a pedisse pra ficar mais um porquinho. Os dois desenvolviam uma sintonia incrível. Ele não se importava em receber um milhão de fotos e escolher uma para que ela postasse. Não se importava em ficar até de madrugada rindo de coisas bobas, fazendo rima e mandando um para o outro.

    Aproveitava cada momento, mesmo que pouco ao lado dela, cada palavra que digitava, cada áudio - aproveitava tudo. Tinha prazer em ouvir sobre ela. E tudo era muito bom, até pegar ônibus lotado em plena segunda-feira, abrir a linha do tempo e a primeira postagem ser uma foto dela, chegar em casa cansado da faculdade, pegar o celular, sentar na cama, perguntar como havia sido o dia dela e passar horas ali em um momento só deles. Chama-lá de linda sem esperar elogios de volta, falar bobagens e esquecer o quão dificil havia sido o dia de ambos. 

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    Você não precisa soltar a minha mão

    01 março 2017

    Foto: Pinterest
    Eu gostaria que você fosse mais sensível ao ponto de me levar para aquelas baladas de sexta a noite, mesmo eu odiando a música alta, a bebida e o cheiro de gente vazia. Gostaria que não soltasse da minha mão e nem fugisse, quando o meu posicionamento voltasse para você de forma negativa – mesmo não sendo.

    Eu gostaria que fosse sensível ao ponto de aparecer no meio da noite só para dizer o quanto eu estava linda, mesmo com aquele pijama surrado que minha mãe já tentou mandar para doação no mínimo umas trezentas vezes. E mesmo com a rotina maçante que você leva, não tenha motivos para ficar em casa. Eu gostaria que não desistisse de nós quando eu mesma propus isso, em uma tentativa fracassada de encerrar a discussão. 

    Eu gostaria que não se esquecer-se de mim quando estiver no bar com os amigos e outra moça se aproxima na intensão de “Flertar” com você, porque o único motivo de seus olhos brilharem, sou eu. Eu quero que me ame na distância, mesmo que meu cheiro e meu toque pareçam inalcançáveis.

    Eu gostaria que não encarasse minhas propostas para o futuro como se amarrar, até porque ainda temos muito tempo até lá. Quero que esteja no nós, mas ainda assim se sinta livre. Que reconheça meus talentos mesmo que eu não os coloque na vitrine da vida. Desejo que sonhe comigo, que busque comigo, que viva comigo e que juntos possamos comemorar as grandes conquistas. 

    Eu gostaria que fosse você, aquele cara sensível que investe em bons diálogos. Que não se importa em ler todos os meus textos na expectativa de encontrar muito de nós por lá, apontando cada parte que lembra você. Desejo que continue aqui não apenas por costume, mas que cada saída te faça lembrar do quão especial somos um para o outro.  

    Eu gostaria que você fosse a única pessoa do mundo que me faz desentalar o choro quando ele está preso na garganta. Que me ama fugazmente e me defende de mim mesma.


    O garoto dos sons

    24 fevereiro 2017


    Aparentemente sem qualquer cansaço, ele corria desesperadamente. As pessoas sensíveis aos sons olhavam e o estrondo que saia de seu coração, era de alguém tocando uma nota ferozmente em um piano.


    Os dias passavam cada vez mais rápido, o garoto que outrora corria, decide caminhar para prestar mais atenção por onde seus pés estavam tocando. Ao diminuir o passo, automaticamente outra nota formara-se dentro dele. Com o tempo, viu que seu instrumento favorito havia se tornado parte de si.


    As melodias de suas pequenas notas semanais eram nutridas por seu estado emocional, por isso elas eram tão oscilantes. Ele sofria com sua bipolaridade, mas apesar do caos, ele florescia. Bem, para alguns a melhor forma de viver é existir no meio da bagunça e assim se encontrar.

    Depois de um tempo ele percebera que cada pessoa nascia com pelo menos uma coisa que a fazia ser totalmente sensível, algo que dava capacidade a ela de sentir o que nem todos conseguiam. Cada ser tem sua sensibilidade particular.
    Uns naturalmente sentem-se tocados por palavras lidas/ditas, outros por fotos e pela sensação de reviver novamente aquele momento registrado. No caso do garoto, ele facilmente se encontrava vulnerável quando ouvia as notas de outros corações, ele adorava sentir aquilo que as pessoas criavam com o tempo.


    Houve sons específicos, como de Cora; o coração era seu violino, e era tocado em uma casa onde existia vários cacos de vidros no chão, ela dançava sobre eles ao som da melodia. Não importava para ela se os pés sangrassem apenas continuava. Aquilo o tocara...  
                                                                                        
    Acontece isso quando esbarramos em alguém que partilha da mesma sensibilidade que temos. O que ela produz a partir de seus dias ruins ou bons, é capaz de entrar dentro nós e ir onde as coisas vazias não são capazes de chegar.

    O garoto dos sons se chama Philip!

    Eu não sei nada sobre você

    19 fevereiro 2017


    Eu não sei nada sobre você. A única coisa que me recordo desde que fui dormir ontem a noite, é a imagem de um rapaz sentado nas escadas da faculdade, com um café, um livro, camisa regler de manga azul marinho e aquela sombrancelha erguida questionando alguma parte do que lia.

    Porque tudo o que consigo me lembrar é que a sua camisa tinha estampa do Johnny Cash, com isso deduzo que você goste de discos antigos e que tenha vários entulhados no seu quarto.  

    Eu não pude dizer “oi”, com isso não sei nada sobre você. Só consigo me lembrar que peguei o celular e sentada no chão ema sua diagonal eu começava a digitar esse texto no bloco de notas, sem nem saber “pra quê” e “por quê. Apenas tentando disfarçar cada olhar.

    Tudo o que eu me lembro é que você parecia inteligente e acabei deduzindo que fazia psicologia, talvez por estar lendo “O Mito da Liberdade” do Skinner, com isso o máximo que eu poderia saber era que simpatizava com a abordagem comportamental.

    Tudo o que eu sei é que na semana seguinte você continuava lá, enquanto eu elaborava um plano para que me notasse sem parecer tão previsivel. Tudo que eu tinha de mais concreto era sua voz na minha cabeça, dizendo,  “eu nunca ti vi por aqui, moça?!”.

    Eu não sei muito, digo, tudo o que eu sei é que fazia frio naquela noite e que estava propricio para um final de semana chuvoso acompanhado de leite quente, pipoca e netflix – sim eu gosto dessa combinação, e tudo que eu me lembro é que torcia para que você também gostasse.

    Eu não sei seu nome, mas já planejei cantar no carro ao seu lado quando pegarmos a estrada para aquela fazenda no interior com a sua familia. Já planejei agradecer cada gentileza que sua mãe me fizer.

    Porque tudo que eu consigo me lembrar é dos diálogos que crio a respeito daquela garota que te abraçou só para sentir seu perfumo mais de perto – diálogo do qual boa parte, sou eu negando até a morte um pouquinho de ciúmes.

    Eu não sei muito, mas posso dizer que quando eu tiver uma gaveta pequena no seu guarda-roupa desejo que você não se incomode com meu TOC em organizar as camisas por cores. Já imagino algumas discurssões quanto a sua desorganização e minha mania de achar que apenas o meu jeito é o certo.

    Depois de alguns anos eu só lembrava da vontade que tinha de voltar naquele outono e fazer diferente. 

    É você.

    07 fevereiro 2017


    É você.           


    Sempre foi você. Aquele que mesmo depois de algumas paixões continua aqui dentro de mim, me fazendo respirar fundo e acreditar em um futuro completamente divergente. É você sim rapaz, que me faz ficar com a cabeça longe, até alguém bater na porta do meu apartamento entregando a chave que esqueci, do lado de fora quando entrei em casa. É esse cara que me faz mudar de ideia sobre o tão sonhado matrimônio, (algo que eu jamais imaginaria se não fosse ele), fazendo com que todo aquele futuro louco e cheio de aventuras não chegasse nem perto da vontade que tenho de passar uma vida inteira ao seu lado.

    Sim, é você, que me faz acreditar que um dia ainda vamos ser ricos juntos e que tudo isso pode dar certo.  É você, que me faz confessar para todas as amigas, o que se passa aqui dentro, quando nossos corações se esbarram por esse mundão. É você sim, que eu procuro para minha vida, porém o medo de dar tudo errado me faz recuar. Faz-me pensar que nada fará tanto sentindo, como fez no ano que nos conhecemos e tudo caminhava tão bem. Mas por outro lado é você que vem na minha cabeça antes de dormir me fazendo por alguns segundos acreditar que também estou nos seus pensamentos, sendo eu a moça que hora ou outra talvez apareça nos seus sonhos. Mas como admitir isso sem sair machucada de novo?

    Por culpa sua eu fico nessa inconstância, envolvida em um enorme talvez, do qual jamais entenderei o porquê, afinal foi só você me cumprimentar após alguns anos, que eu esqueci quanto eu fugi de tudo isso. Por fim lá no fundo eu sei que é você que está nos meus sonhos noturnos, nas minhas poesias mais bonitas, nos meus pensamentos diários... E apesar de todas as dúvidas, eu sei que preciso reconhecer e admitir – as portas do meu coração estão abertas para esse amor.

    Sempre foi você, o cara que me fez reconhecer, o quão talentosa eu sou. Lembro que não conseguia acreditar que depois de tanto insistirmos você estava indo embora. Foram inúmeras noites em claro indagando a mim mesma, a procura de respostas. E acabou, mas a verdade é que tudo o que eu fiz para esquecer os momentos bons, excluindo, bloqueando, cortando relações com os amigos em comum, foi apenas uma tentativa fracassada de enganar a mim mesma. Agora eu apenas descobri – não fui embora, continuo no nós.
    Eu só preciso ler e re-ler esse texto. 

    É hora de seguir Cora {...}

    23 agosto 2016


                           Minha querida Cora sempre foi intensa com seus sentimentos.

    Ela já não fazia mais idéia por onde recomeçar desde seu último relacionamento. Sabe quando a gente se pega amando e tendo um carinho imenso por alguém que bate a sensação de "Estou me afogando, mas não quero sair daqui". Ou até mesmo se emociona quando pensa sobre a pessoa... ela era assim com o seu amor do passado.
    No fim daquele outono ela pensou que iria morrer, mas foi totalmente ao contrário, ela renasceu na sua individualidade e ficou decidida que daria um tempo para si mesma, e iniciou-se a caminhada pelo melhor estado que foi conhecer ela mesma.
    Uma vez perguntaram a ela, qual foi a melhor coisa que ja sentiu na vida, sem êxitar ela disse "ter me conhecido, e finalmente parar de buscar em outras pessoas o autoconhecimento que eu só encontraria em mim mesma".
    Cora com o tempo aprendeu que apesar de existirem pessoas que fossem capazes de ajudá-la a decidir coisas importantes, no fim de todas as opiniões o que restava era a dela. Mesmo com a insegurança do que viria depois, ela segurava na mão de suas certezas pois reconhecia o peso de cada uma. E ia.
    E naqueles meses escuros, sozinha, na sua caverna interior ela ouviu dentro si "é hora de seguir Cora..."
    Já lhe era esperado essa voz surgir, mas não naquele período da sua vida, onde tudo estava bem. Onde sua saudade estava guardada e escondida de todos. Onde ela estava sabendo lidar com os assuntos dela. Pois lidar apenas com seu coração e suas próprias paranóias com o tempo se tornou um prazer. Mas a vida veio e lhe disse "é hora de seguir Cora, você precisa de algo novo, então se levante e se dê uma chance".
    Mesmo com as pernas trêmulas, ela se deu pra vida e hoje... Ahh! Hoje ela está em uma aventura, e dessa vez está acompanhada, mesmo com suas incertezas, o incerto sempre lhe chamou a atenção.

    Autofagia

    12 agosto 2016


    Olga, 30 anos, autofágica {...}
    E o tempo todo Olga escutava frases que a levava para mais perto do escuro. Mas esse não era um de seus medos. Morrer? Porém para ela o que realmente se temia era a vida.
    "Por que não sai para dançar com os amigos?" Seu pai perguntou.     
    "Ela só quer chamar a atenção", sua irmã afirmava.        
    "Está nessa situação porque quer", um colega de classe comentava.
    Olga se enchia de tudo isso, não digo "de saco cheio", ao contrário, se deixava submergir o tempo todo com frases que as pessoas tentavam, mas era só isso, uma tentativa fracassada de ter uma resposta racional para tudo que estava acontecendo. Pessoas ignorantes apenas com deduções de que viver com tudo isso era simplesmente passar o dia em um quarto escuro e fones de ouvido. Mas espera, quando deixou de ser a história de Olga para ser de qualquer outro?
    E era com si mesma que ela lutava todos os dias, sendo refém de sua energia vital que na grande maioria era mínima, no qual nunca chegava sozinha a ansiedade e a insônia eram suas melhores amigas. Até atividades pequenas como tomar banho e se alimentar se tornavam muito cansativas. E tudo parecia lento demais. Ela planejava, ela queria sair, mas ficava por isso mesmo, planos, planos e mais planos {...}
    E lá dentro de si mesma antes da luta acabar ela escutava. *Tente mais uma vez, planeje porque você precisa, porque você gostaria de ir*, não é tão fácil ir lá fora e sorrir quando a única coisa que se tem é algo te puxando de volta. Talvez seja de forma grotesca, mas tão romanesca como a garota enxergava perfeição apenas no silêncio do quarto mesclado a sua setlist das sexta-feiras. Então decide continuar onde ninguém a alcança, onde ninguém interfere, onde só existe ela e seus próprios demônios, não sente mais nada e ao mesmo tempo a ansiedade junto ao monte do que sentir, então ela só fechava os olhos e usava suas máscaras sociais.
    Não se sabe muito sobre a garota, alguns arriscavam carência vulgo tristeza. Mas ninguém tentou, apenas Olga, lutou com suas inquietações, procurou caminhos alternativos, arrancou fios de cabelos, mordeu a si mesma, mas acabara se entregando, sem forças, sem coragem, em um corpo que escolheu pegar no sono em meio à alguma série do que confrontar e voltar ao vazio formado dentro de si, ao longo do tempo.
    E por fim só se ouvia dizer, "ninguém morre de amor", se isso é viver, então eu não faço ideia do que seja a morte.
    Autofágico, aquilo que consome a si próprio, se autodestrói,

    Adeus Olga.. 

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