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  • E se eu te pedir pra ficar ?

    01 maio 2017


    As vezes eu paro no meio da noite, no meio de uma música, no meio de uma frase e penso : E se ?

    E se eu estiver em uma daquelas minhas crises bipolares, querendo jogar tudo pro alto, te dizendo besteiras, e falando que já não quero mais viver?
    E se eu acordar naqueles dias carrapatos, em que só quero ficar do lado, te abraçando e recebendo cafuné?
    E se a tpm vier forte, daquelas que eu só choro, faço meus dramas, reclamo de tudo e mudo de humor a cada 5 minutos?
    E se eu der minhas crises de ciúmes, fechar a cara e por um minuto te proibir até de sorrir se não for pra mim?
    E se eu não conseguir controlar o choro, e no meio da noite te ligar só pra pedir um consolo ?
    E se acaso eu acordar num dia mal, desistir de tudo, te pedir pra ir embora e nunca mais me procurar ?

    Só me prometa que não vai embora, porque você sabe que sem sua companhia eu me perco, não controlo meu jeito e mergulho em maus pensamentos. Me prometa que não vai acreditar quando eu disser que não quero mais viver, porque você melhor do que ninguém sabe como eu amo a vida, e as aventuras, e os riscos que tal me proporciona. Me prometa também que vai rir das minhas crises de ciúmes, porque sabe que eu nem sei fazer cara de brava, e que esses surtos não duram nem 1 dia. Não esqueça de prometer que não vai enjoar de mim, e vai permitir que eu faça do teu colo o meu abrigo. Nos dias de choro, será o meu porto seguro e só com a tua presença vai colocar um sorriso no meu rosto. Me prometa meu amor, me prometa! Porque eu não consigo ao menos pensar em perder todo esse amor. Faça isso porque por mais que as dificuldades sejam constantes, contigo eu não penso nisso nem por um instante. Só me prometa porque eu não quero acordar sabendo que não terei o teu bom dia logo cedo.. Aquele bom dia que sempre soa como um "eu te amo"!

    Sei que por muitas vezes faço o tipo "chiclete", que não desgruda e que quer ficar sempre ali, pertinho, juntinho o dia todo. Mas é que quando penso no significado que o teu amor tem na minha vida, consequentemente penso na questão: "E se você não estiver aqui amanhã?". Então me deixe aproveitar cada minuto agarradinha naquilo que tanto quero bem.

    Também sei que tenho os meus momentos "espinhos", no qual nem te quero perto, prefiro a distância, a frieza, o meu canto, o singular. Mas é que quando penso que talvez possa cansar de mim, o meu coração se desespera, entra em pânico e consequentemente surge a questão: "E se você quiser ir embora?". Então me deixe cuidar desse amor da maneira que eu consigo.

    Nunca fui fácil de lidar sei disso, sou bipolar (muitas vezes tripolar), mimada e até mesmo egoísta quando se trata de você. Sei que não é uma tarefa fácil me amar, e que com tanto "e se?" seu coração se cansa de procurar respostas para tal pergunta. Mas é que, mesmo em meio a tantos defeitos, tantos poréns, tantas questões, a pergunta que o meu coração deseja mesmo fazer é:

    E se eu te pedir pra ficar?

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    A ti eu nunca pertenci

    28 abril 2017


      

    Foram tantos momentos. Tantos afagos. Apelos. Apegos. Abraços. Depois, afasia. Ouça-me bem, querido, de cada amor, tu herdarás só o cinismo! Escutávamos esta música como se, ulteriormente, não significasse nada. Significou. Queria que pagasse com o cinismo. O cinismo o qual devasta a interioridade de quaisquer homens, o cinismo que é substrato da ignorância, da ignorância de deixar-me à míngua. Ah, eu não queria ser tão melodramática.

    Não posso negar, fui feliz. A eternidade na qual passamos juntos, fui feliz. Chamava-me de “Pequeno Clichê em Forma de Gente”, e eu jamais irei me esquecer, nem gostaria de esquecer, de te esquecer. Por quê? Porque, por bem ou por mal, foste uma gotícula da minha vida em certa ocasião que, por ora, marcou-me.

    A ti eu nunca pertenci, e se pertenci, fora parco. E a mim, sim, também tu não me pertenceras, e se pertenceras, fora, também, parco.
    Porém, acho justo dizer do vácuo que não queria sentir e, por isso, acreditei que não existisse, que fosse obra da minha imaginação, que, por ti, deixei o barroquismo para dedicar-me à poesia contemporânea, a qual, juro-te, odeio, mas que as circunstâncias fez-me fazê-la. Odeio!

    Uma das minhas promessas é voltar a ser o que eu era antes, a escrever o que eu escrevia antes, a sentir o que eu sentia antes, a fazer o que eu fazia antes, não mais mecanicamente, não mais forçosamente, não mais à espera da aceitação de alguém, da tua aceitação.

    Chamava-te de “Gigante do Meu Peito” – não só por contraste do apelido que me deste –, porque ocupava, ipsis litteris, em mim, em meu coração, uma légua diametralmente, sem exagero. Se cortasse meu peito, desmontar-me-ia imediatamente.
    Ainda tenho o teu adaptador de áudio para dois fones. De quando íamos ao parque, ao léu, ao destino, ao imprevisível., e compartilhávamos sons, músicas, transpiros, suspiros.
    Enfim, meu ex-Gigante do Meu Peito, se a vida fosse da forma a qual quiséssemos, não teria graça. Cansaria. Seria monótono. Sentiria mais afasia.

    Encerro-me minha curta vida ao teu lado dizendo-te ‘quase sem querer... me fiz mil pedaços para você juntar, e queria sempre achar explicação pro que eu sentia, como um anjo caído, fiz questão de esquecer que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira. Mas não sou mais tão criança a ponto de saber tudo...  Agradeço ao Renato Russo por escrever a última estrofe de nossas vidas’
    obs: estou a recuperar o barroquismo.

    de Jenny Maiakovisk para um futuro desconhecido.



    (Cadu Rodrigues) 


    Estou tão cansada de estar tão exausta

    27 abril 2017

    foto: pinterest
    Estou tão cansada de estar tão exausta.
    Estou tão cansada de ver você e fingir que nada mais desperta dentro do meu peito. Mas para ser honesta eu já reformulei vários diálogos antigos, dos quais eu sei que jamais voltarão a existir entre nós. Pode ser que daqui alguns anos você comece a construir diálogos com um novo alguém, após um casamento lindo durante uma manhã de primavera. Quanto a mim? Não serei mais lembrada, nem como um ex amor. E ainda assim, depois de tudo que vivemos me tornarei apenas a garota que te fez adquirir um pouco mais de experiência quanto a relacionamentos.

    Vamos nos encontrar no shopping, você estará de mãos dadas com uma moça alta e de cabelos castanhos, irá me apresentar pelo o primeiro nome e dizer que comprou uma casa e se mudou da cidade, tenho medo que isso ainda seja um motivo para eu sentar na frente do computador e tê-lo como inspiração de algum texto, mesmo que já tenha se passado sete anos desde que você disse não para o “nós”. E eu o que estarei fazendo? Talvez viajando pelo o mundo em busca de novas inspirações, em uma tentativa fracassada, mas em contrapartida, completamente realizada com os meus escritos sendo publicados em livro, graças à inspiração diária em reformular nossa ficção.

    Talvez eu continue apaixonada por alguém que nem exista mais, alguém que eu conheci a exatos sete anos, em um inverno triste, do qual tudo passou a fazer sentido através de um simples olhar. Olhar intenso, que me fazia viajar por alguns infinitos. Um cara com o coração gigante, disposto a servir sempre. Com sorriso largo mesmo sem mostrar os dentes. Um cara que sonhou comigo, que planejou um futuro ao meu lado. Até o dia que desistimos do “nós”, até porque nem sempre o que queremos é o que precisamos.

    Não sei se você ainda toca naquela banda adolescente. Talvez tenha trocado o café quente por chá gelado. Sua playlist no Spotify com certeza recebeu novas bandas. Em contra partida nada mudou no meu hoje, ainda sinto que sou transferida para a primeira festa que fomos juntos, enquanto eu tentava me equilibrar naquele salto, você lembra o quão ridícula eu estava tentando te impressionar? 
    Sinto-me tão exausta, esperando em um tempo de cura, que parece nunca chegar. É como se ainda escutasse você cantar ao telefone toda vez que repouso minha cabeça no travesseiro antes de dormir. Exausta de escrever sobre um amor sólido que a cada dia me dar sinais quanto ao fim de tudo.

    Decepciono-me por não saber mesmo depois desses longos anos o porquê da sua partida. E acabo repousando em lágrimas, por um amor cada dia menos sólido. 
    Mesmo aceitando confesso que ainda nutro uma pontinha de esperança no que costumávamos chamar de “nós”. Achei que eu merecia por tudo que fui. Porém uma certeza meu amor, não me arrependo de ter sido inteira quanto a tudo que vivemos.    


    É moreno. Acabou.

    24 abril 2017


    Acabou a insistência do meu coração de querer te amar tanto
    , acabou as noites em claro esperando você chegar das festinhas só pra ter a certeza de que chegaria bem, acabou as declarações de amor e os textos gigantes no meio da noite só pra te fazer acordar bem no outro dia. Acabou as crises de ciúmes quando te via conversar com outras garotas, e não comigo. Acabou aquela historinha de mendigar a tua atenção. ACABOU!

    E não me culpe por isso, não mesmo. A sua frieza e o seu descaso só me abriram os olhos e me fizeram perceber que somente o meu amor não seria suficiente pra manter nossa relação, se é que podemos chamar de relação o que nós vivemos. Ninguém dá conta de amar por dois, eu não dei conta, me desculpa!

    Me desculpa se eu não fui como essas garotas que você encontra na noite e só te procuram por prazer ou interesse. Desculpa moreno se eu te mandava mensagens toda hora perguntando como você tava ou se precisava de algo. Desculpa se me preocupei demais, quando de mim você queria bem menos. E talvez acabei te sufocando com toda essa preocupação. Me desculpa se me doei de corpo e alma por quem só queria viver de aparências. É moreno, desculpa... 

    Infelizmente o amor ainda não acabou, ele ainda tá aqui, guardadinho num lugar no qual você nunca se preocupou em cuidar, isso mesmo rs Ele ainda tá no meu coração. Mas não por muito tempo moreno, porque com tudo que passei por você, por tudo que me submeti pra caber na tua vida e nesse teu mundinho egoísta, eu só percebi que o único amor que meu coração merece cultivar, é esse tal de amor próprio... Coisa que eu nunca pude ter ao teu lado!


    Colaboradora

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    Ele, e as digitais permanentes

    05 abril 2017



    Naquela noite que meu sentir não fez sentido, você quis me convencer que ele era só mais uma paranoia. Eu não pude te provar, não tinha nada a ser provado, estava nítido.
    Não pude evitar, mas desde aquele instante, meu coração já não era mais seu.
    A ligação rompeu-se.
    Tentei por um tempo, fazer com que nossos dedos se entrelaçassem naquele laço perfeito, mas a tentativa foi falha. E moço, seja sincero, o que tinha de errado?
    Nunca pude ouvir suas dores, sempre se apresentou a mim como um borrão incompreensível... Não havia transparência.

    Eu conhecia mais suas analogias do que você!
    Sabia de cor e salteado suas expressões, e reconhecia o tom da sua voz quando mudava e adaptava-se com seu sorriso. Mas bem, isso nunca foi o suficiente pra mim, eu queria ver seu coração. Você não deixava, dizia estar tão exposto a mim, no entanto, sabemos da sua dificuldade de abrir-se. Não te julgo, sempre foi você, só, com seus pensamentos.
    É trabalhoso aprender confiar o que sentimos a outrem, nem todos se sensibilizam com as nossas dores; a desconsideração é mais doida do que guardar tudo pra si mesmo.

    Apesar de tudo, queria te ter por aqui, mesmo incompreensível, sua presença trazia conforto mesmo sendo um caos. Não me importava em viver na sua bagunça, contanto que você aceitasse a minha.
    Mas... Você se foi.
    Eu também fui embora da sua vida.
    É duro admitir, porém lá no fundo sabemos quando alguém já não pode fazer parte do nosso quebra cabeça. Tentamos encaixar suas peças, mas o papel dela já preencheu o espaço que precisava.

    Então... Obrigado por existir em mim em um curto tempo, a pessoa que me tornei tem um pouco de ti.
    Você me tocou, e desde aquele momento pra sempre terei suas digitais.

    A Menina dos Olhos - capítulo II

    26 março 2017

    Foto:Tumbrl
    Para ler o Capítulo I clique aqui.

    Para ler o Capítulo III clique aqui.

    Alguns meses se passaram e as conversas só aproximavam um do outro, fazendo  com que toda manhã fosse um recomeço, o coração dele conhecia mais dela todos os dias. Compartilhavam muitos objetivos, até que Laura o conta sobre uma viagem que faria ao Rio de Janeiro, a cidade preferida dele no mundo inteiro, o que resultou que Kaio pode ajuda - lá antes e durante a estadia dela por lá. Desde as compras das passagens até os pontos turísticos que visitaria, tendo sua opinião sempre.
    Após esse momento, as conversas se tornaram mais fortes e consolidadas. Se atraim por serem parecidos e se conheciam por conhecerem a si mesmo tão bem. Tudo caminhava como ele esperou que fosse, mas em contrapartida chegou o dia em que ela precisou contar algo que o deixaria chocado. Sim, o coração dela pertencia a outro rapaz, pelo menos era o que ela acreditava naquele momento. Kaio não sabia o que fazer, precisou respirar fundo, pensar em tudo que tinha acontecido, até porque todos os momentos que tiveram, independente de terem sido simples foram marcantes para a vida de ambos. A impressão era que o mundo do qual os dois construiram juntos, silênciou por algumas horas, até entenderem o que estava acontecendo.

    00h47 — Laura? Está acordada?
    00h48 — Sim, não consigo dormir.
    00h48 — Como tudo isso aconteceu? — Kaio falava a respeito da ultima conversa.       

    00h49 — Eu não consigo explicar Kaio, as coisas simplismente foram acontecendo ao natural, sabe?

    00h50 — Sim, eu sei.
    00h50 — E o que passa em sua cabeça agora?    
    00h51 — Estou pensando se tudo o que vivemos foi mesmo real — logo Kaio voltou ao pensamento inicial, como se fosse apenas um sonho de verão. 

    Amei cada instante ao seu lado, o jeito como você me respondia através de áudios, sendo a garota mais gentil do mundo, a forma como nossos olhares se encaixavam, o seu sorriso largo que eu fazia questão de ressaltar em todos nossos momentos, sua companhia que sempre me pareceu o melhor lugar para se aconchegar, as suas mensagens de bom dia que me faziam esquecer qualquer conflito interno que eu pudesse ter... Ouvi em algum lugar que o silêncio é o barulho da mente e acho que é exatamente isso que está acontecendo comigo agora. E você o que está pensando?  

    00h59 — Penso que preciso me mudar de você. Mas eu não quero!        — ela disse com uma profunda tristeza no peito. — Passei a semana reescrevendo esse dialogo na minha mente. Não queria que nenhum de nós saísse machucado. Pensei tanto que acabei tendo um sonho incomum. Sonhei que nos reencontrávamos depois de alguns anos, você estava super bem, e sorria bastante. Por fim, percebemos que havíamos esperado demais.
    01h00 — Tudo bem Laura. Seguiremos em frente, deixando que a vida nos ajeite. Torço para que o universo arranje um jeito de fazer com que nos esbarremos por ai. E se por acaso você passar alguma vez pela a rua do meu coração, não êxite em tocar a campainha, eu prometo fazer de tudo para que você fique.   — Ele falou sem questionar, sem colocar nenhum respaldo para que ela mudasse de ideia quanto a deixa-lô.
    Kaio não conseguia sentir muita coisa, mas ele corou sozinho e quando percebeu deixou um sorriso meio torno escapar, sendo esse sorriso o simbolo da esperança que carregava dentro dele.           
    01h17 — Até breve Kaio.

    E partir desse dia decidiram não conversar mais, por motivos óbvios.

    Você não precisa soltar a minha mão

    01 março 2017

    Foto: Pinterest
    Eu gostaria que você fosse mais sensível ao ponto de me levar para aquelas baladas de sexta a noite, mesmo eu odiando a música alta, a bebida e o cheiro de gente vazia. Gostaria que não soltasse da minha mão e nem fugisse, quando o meu posicionamento voltasse para você de forma negativa – mesmo não sendo.

    Eu gostaria que fosse sensível ao ponto de aparecer no meio da noite só para dizer o quanto eu estava linda, mesmo com aquele pijama surrado que minha mãe já tentou mandar para doação no mínimo umas trezentas vezes. E mesmo com a rotina maçante que você leva, não tenha motivos para ficar em casa. Eu gostaria que não desistisse de nós quando eu mesma propus isso, em uma tentativa fracassada de encerrar a discussão. 

    Eu gostaria que não se esquecer-se de mim quando estiver no bar com os amigos e outra moça se aproxima na intensão de “Flertar” com você, porque o único motivo de seus olhos brilharem, sou eu. Eu quero que me ame na distância, mesmo que meu cheiro e meu toque pareçam inalcançáveis.

    Eu gostaria que não encarasse minhas propostas para o futuro como se amarrar, até porque ainda temos muito tempo até lá. Quero que esteja no nós, mas ainda assim se sinta livre. Que reconheça meus talentos mesmo que eu não os coloque na vitrine da vida. Desejo que sonhe comigo, que busque comigo, que viva comigo e que juntos possamos comemorar as grandes conquistas. 

    Eu gostaria que fosse você, aquele cara sensível que investe em bons diálogos. Que não se importa em ler todos os meus textos na expectativa de encontrar muito de nós por lá, apontando cada parte que lembra você. Desejo que continue aqui não apenas por costume, mas que cada saída te faça lembrar do quão especial somos um para o outro.  

    Eu gostaria que você fosse a única pessoa do mundo que me faz desentalar o choro quando ele está preso na garganta. Que me ama fugazmente e me defende de mim mesma.


    Eu não sei nada sobre você

    19 fevereiro 2017


    Eu não sei nada sobre você. A única coisa que me recordo desde que fui dormir ontem a noite, é a imagem de um rapaz sentado nas escadas da faculdade, com um café, um livro, camisa regler de manga azul marinho e aquela sombrancelha erguida questionando alguma parte do que lia.

    Porque tudo o que consigo me lembrar é que a sua camisa tinha estampa do Johnny Cash, com isso deduzo que você goste de discos antigos e que tenha vários entulhados no seu quarto.  

    Eu não pude dizer “oi”, com isso não sei nada sobre você. Só consigo me lembrar que peguei o celular e sentada no chão ema sua diagonal eu começava a digitar esse texto no bloco de notas, sem nem saber “pra quê” e “por quê. Apenas tentando disfarçar cada olhar.

    Tudo o que eu me lembro é que você parecia inteligente e acabei deduzindo que fazia psicologia, talvez por estar lendo “O Mito da Liberdade” do Skinner, com isso o máximo que eu poderia saber era que simpatizava com a abordagem comportamental.

    Tudo o que eu sei é que na semana seguinte você continuava lá, enquanto eu elaborava um plano para que me notasse sem parecer tão previsivel. Tudo que eu tinha de mais concreto era sua voz na minha cabeça, dizendo,  “eu nunca ti vi por aqui, moça?!”.

    Eu não sei muito, digo, tudo o que eu sei é que fazia frio naquela noite e que estava propricio para um final de semana chuvoso acompanhado de leite quente, pipoca e netflix – sim eu gosto dessa combinação, e tudo que eu me lembro é que torcia para que você também gostasse.

    Eu não sei seu nome, mas já planejei cantar no carro ao seu lado quando pegarmos a estrada para aquela fazenda no interior com a sua familia. Já planejei agradecer cada gentileza que sua mãe me fizer.

    Porque tudo que eu consigo me lembrar é dos diálogos que crio a respeito daquela garota que te abraçou só para sentir seu perfumo mais de perto – diálogo do qual boa parte, sou eu negando até a morte um pouquinho de ciúmes.

    Eu não sei muito, mas posso dizer que quando eu tiver uma gaveta pequena no seu guarda-roupa desejo que você não se incomode com meu TOC em organizar as camisas por cores. Já imagino algumas discurssões quanto a sua desorganização e minha mania de achar que apenas o meu jeito é o certo.

    Depois de alguns anos eu só lembrava da vontade que tinha de voltar naquele outono e fazer diferente. 

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