• Categoria: cronicas
  • Ele com certeza não era o amor da minha vida.

    28 novembro 2017

    (foto: pinterest)
    Não parece amor, não nos olhamos e nos conectamos da primeira vez que nos vimos. Não nos conhecemos enquanto esbarrávamos um no outro na balada. E ele não quis me pagar um drink quando por acaso conversamos naquele bar, afim de interesses posteriores.
    E eu não senti algo diferente quando nos vimos pela quarta vez, nem quis beija-lo ou tocar suas mãos na décima vez que nos encontramos. Costumo falar que as coisas entre a gente foram gradativas, sem beijos apaixonados logo de cara, sem olhares fugazes daqueles que costumam nos ler por dentro.

    Sem nenhum sentimento exacerbado que se cria no primeiro encontro.
    O cara do bar, com certeza não é o cara dos meus sonhos, não corresponde nenhuma das minhas tolas idealizações de “homem perfeito”, e ele de fato não faz esforço nenhum para isso.
    O que o faz alguém muito mais especial do que se quisesse me impressionar e por fim mudar sua essência por alguém tão humano quanto ele. Mas quer saber? Com o tempo a gente aprende que não existe ninguém perfeito. 

    Quanto mais eu conheço o moço do bar, mais percebo o quanto ele está distante do que idealizei a vida inteira. Mas tudo bem, ele não precisa ser quem eu quero, muito menos quem ele não é.  E em meio a toda essa contradição fluímos.
    Nada de especial eu  ainda pego ônibus lotado de mal humor nas segundas-feiras, não me preocupo em me arrumar um pouquinho mais para o caso de nos esbarrarmos e muito menos fico esperando por mensagens dele.

    Costumo dizer para os meus amigos que me permitir no que vivemos, foi um devaneio enquanto a vida tomava o controle de tudo. Não foi amor, não é amor, e eu espero que a gente só se dê conta disso em um futuro do qual, ambos tenham força suficiente para abraçar o propósito.
    Foi diferente, foi mais que amor, foi olhar em direções opostas e ainda assim dar atenção para o que era de fato bom. Foi ouvir e falar sobre trabalho e coisas chatas que a maioria das pessoas costuma ignorar nos primeiros encontros. Mas foi apenas isso.

    Ele com certeza não tinha “nada haver” comigo. Mas de fato isso foi o que me atraiu, estava cansada de paixões mentirosas. No entanto, a nossa contradição começava a aparecer nas noites sem sono, nas músicas que me apresentava, no cheiro de casa limpa.

    E o fato de não romantizarmos o amor, não nos fez imperfeitos um para o outro. Posso estar sendo redundante, mas nos acostumamos com paixões intensas, amores a primeira vista e todos aqueles sentimentos que em uma maioria predominante é mentiroso e ilusório.
    O amor passou de escolha, a um sentimento frágil, do qual  a gente assiste nos filmes e se concretiza na literatura romanesca. Esbarramos-nos trilhões de vezes até por fim permitir que o que ainda não é amor, talvez se torne.
    Não teve nada de especial, não foi romântico nem intenso, mas foi completamente honesto.

    O “romance” que eu achei ser apenas um encontro, foi consolidado em nós.  Eu não precisei sentir aquela saudade louca, não precisei olhar o celular a cada cinco minutos a espera de um “boa noite”. Não precisei tornar o que tínhamos de bom em um sentimento doente. Até porque os momentos juntos eram uma carga tão positiva que supria qualquer migalha que eu poderia me submeter.

    Dia desses, o moço do bar me perguntou se dois corações poderiam ter a mesma batida, na hora confesso não ter muito o que responder.  Mas hoje digo, podemos ser a maior contradição, eu com meu coração jovem optar por sair e fazer programas não muito agradáveis, e ele com um coração experiente preferir um fim de tarde ao pôr do sol. Quanto durou esse amor, que não não era amor? Não faço ideia, não me atentei aos dias. Mas estou certa que durou suficiente para ambos.

    No entanto isso só me conclui que dois corações podem não bater de forma igual. Mas é completamente possível estar no mesmo ritmo. Isso se chama harmonia.



    E se eu te pedir pra ficar ?

    01 maio 2017


    As vezes eu paro no meio da noite, no meio de uma música, no meio de uma frase e penso : E se ?

    E se eu estiver em uma daquelas minhas crises bipolares, querendo jogar tudo pro alto, te dizendo besteiras, e falando que já não quero mais viver?
    E se eu acordar naqueles dias carrapatos, em que só quero ficar do lado, te abraçando e recebendo cafuné?
    E se a tpm vier forte, daquelas que eu só choro, faço meus dramas, reclamo de tudo e mudo de humor a cada 5 minutos?
    E se eu der minhas crises de ciúmes, fechar a cara e por um minuto te proibir até de sorrir se não for pra mim?
    E se eu não conseguir controlar o choro, e no meio da noite te ligar só pra pedir um consolo ?
    E se acaso eu acordar num dia mal, desistir de tudo, te pedir pra ir embora e nunca mais me procurar ?

    Só me prometa que não vai embora, porque você sabe que sem sua companhia eu me perco, não controlo meu jeito e mergulho em maus pensamentos. Me prometa que não vai acreditar quando eu disser que não quero mais viver, porque você melhor do que ninguém sabe como eu amo a vida, e as aventuras, e os riscos que tal me proporciona. Me prometa também que vai rir das minhas crises de ciúmes, porque sabe que eu nem sei fazer cara de brava, e que esses surtos não duram nem 1 dia. Não esqueça de prometer que não vai enjoar de mim, e vai permitir que eu faça do teu colo o meu abrigo. Nos dias de choro, será o meu porto seguro e só com a tua presença vai colocar um sorriso no meu rosto. Me prometa meu amor, me prometa! Porque eu não consigo ao menos pensar em perder todo esse amor. Faça isso porque por mais que as dificuldades sejam constantes, contigo eu não penso nisso nem por um instante. Só me prometa porque eu não quero acordar sabendo que não terei o teu bom dia logo cedo.. Aquele bom dia que sempre soa como um "eu te amo"!

    Sei que por muitas vezes faço o tipo "chiclete", que não desgruda e que quer ficar sempre ali, pertinho, juntinho o dia todo. Mas é que quando penso no significado que o teu amor tem na minha vida, consequentemente penso na questão: "E se você não estiver aqui amanhã?". Então me deixe aproveitar cada minuto agarradinha naquilo que tanto quero bem.

    Também sei que tenho os meus momentos "espinhos", no qual nem te quero perto, prefiro a distância, a frieza, o meu canto, o singular. Mas é que quando penso que talvez possa cansar de mim, o meu coração se desespera, entra em pânico e consequentemente surge a questão: "E se você quiser ir embora?". Então me deixe cuidar desse amor da maneira que eu consigo.

    Nunca fui fácil de lidar sei disso, sou bipolar (muitas vezes tripolar), mimada e até mesmo egoísta quando se trata de você. Sei que não é uma tarefa fácil me amar, e que com tanto "e se?" seu coração se cansa de procurar respostas para tal pergunta. Mas é que, mesmo em meio a tantos defeitos, tantos poréns, tantas questões, a pergunta que o meu coração deseja mesmo fazer é:

    E se eu te pedir pra ficar?

    Colaboradora

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    A menina dos olhos capítulo III (final)

    20 abril 2017


    Para ler o Capítulo I clique aqui.

    Para ler o Capítulo II clique aqui.

    Ele chegou tentar trazê-la de volta algumas vezes. 

    Não bastou.    
    Quando ele dirigia para casa e via uma garota de cabelos escuros e estatura média, em pé, próxima a esquina de sua casa, podia jurar por alguns instantes ser a Laura.       
    Mas logo percebia que a moça não era tão pequena quanto ela.        
    Em uma manhã nublada de domingo, corria no parque e de longe avistou uma garota de blusa listrada, com um livro na mão e sentada em baixo de uma arvore.
    Infelizmente os cabelos de Laura eram mais escuros.

    Laura...

    Laura, conforme os anos se passavam, parecia cada vez mais um sonho distante.

                                                                   
                                                                                 ***
    O relógio para a hora do trabalho acabara de despertar, e para a infelicidade de Kaio ele não havia dormido nem por duas horas direito. Desde que Laura se foi a insônia o tomava na maioria das noites. Já havia um tempo que ele não tentava trazê-la de volta, porém viu uma foto dela perdida no computador essa madrugada e com certeza foi o principal fato para não conseguir dormir tão bem.

     A vida de Kaio caminhava para várias conquistas, ele já morava sozinho, já havia terminado a faculdade de psicologia, aberto sua própria clínica e agora estava pronto para mais uma aventura. A caminho do trabalho ele passaria em uma loja de malas, faltavam apenas três dias para o seu terceiro intercâmbio, dessa vez era na América do Norte, iria pro Canadá fazer uma especialização na área de comportamental.

    Os dias passaram rápido demais e quando menos percebeu já estava em um vôo para o Canadá. Não sabia ao certo o que sentia, era uma mistura de felicidade, ansiedade e expectativas boas, mas se Kaio tinha certeza de algo era que essa viagem traria muitas aventuras e ele estava disposto a viver cada momento.

    Logo na entrada do hotel ele percebia a beleza do lugar, a música clássica tocando, o lustre do teto conversando com o carpete em tons de marrom e tudo era muito agradável. Após fazer o check-in e deixar as malas no quarto, resolveu que iria passar na cafeteria logo do outro lado da rua, até porque era final de semana e suas aulas começariam na segunda, gostaria de aproveitar um pouco da cidade antes de focar nos estudos. Ficou algumas horas por lá, leu alguns capitulo do livro que já estava para terminar, abriu o moleskine e fez algumas anotações, experimentou alguns capuccino, observou a neve começando a cair e quando menos percebeu já era fim de tarde.

    Ao lado do café havia uma padaria bastante movimentada, já era 17h30 da tarde e fazia algumas horas que Kaio não se alimentava. Ao entrar na padaria uma moça com um cachecol preto, sentada perto da janela o chamou a atenção. Deve ser mais uma daquelas visões quanto a Laura afirmou para si mesmo. Pediu alguns pães de queijo para viagem, levaria para comer no quarto, estava um tanto quanto cansado da viagem.

    Na fila para pagamento sentiu que alguém o tocou no ombro e para a sua surpresa ao se virar ele teve a visão que nunca saberá lidar. Laura, ele não estava enganado a moça sentada na mesa ao lado era ela. Antes que ele pudesse falar qualquer coisa ela o abraçou como nunca, ele podia sentir o cheiro de shampoo em seu cabelo macio e o coração batendo acelerado - o que não era tão diferente do dele. Laura contou que também estava no Canadá para estudar, ambos estavam com o coração alegre.

    Eu sei que já não nos falamos há alguns anos, mas você já deve saber que não te esqueci desde que a deixei ir. Eu tenho tanto para contar e sei que você também deve ter. Eu ti vi em tantos lugares, mas para minha infelicidade era só a minha mente tentando me pregar uma peça. Sim, doeu muito e ainda dói pensar que talvez não tenhamos tanto em comum para compartilhar. Eu quis tanto te ligar e contar que amei a terceira faixa do novo disco do Maroon 5, mas hesitei, não queria quebrar a promessa de deixar o controle nas mãos do universo. Sabe aqueles bolinhos primavera que você tentou me ensinar? Então, eu aprendi a fazer. Sabe aquele lance de seguir em frente e amar outra pessoa? Eu falhei na missão, digo, nunca deixei o caminho livre para que alguém entrasse. E todos esses anos me fiz a mesma pergunta todas as manhãs: — Será que ela já está pronta para voltar?

    Acho que já esperamos muito! — Laura afirmou com toda a certeza que tinha dentro de si tocando a mão dele em cima da mesa.  

    Os olhares se encontram como naqueles finais de filme que você fica com um “gostinho de quero mais” e Kaio tirando o cabelo dela do rosto finaliza aquela tarde com um pôr do sol lindo, um beijo sincero e muito amor.




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