• Categoria: Crônicas
  • Você demorou demais

    02 maio 2017

    foto: pinterest

    — Alô?
               
    — Olá.  
                         
    — Pensei que nunca iria me atender. O que houve? 
                        
    — Você demorou demais. 

    — Poxa Ana, não passou um dia que não pensei em você. Eu disse que precisava colocar as coisas no lugar primeiro.
            
    — E eu te dei o seu tempo. Para ser honesta, talvez eu nunca te esqueça de verdade, porque nosso amor era especial...  
                    
    — Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci e preciso de você.
                   
    — O que você está falando Arthur? Tínhamos tantos planos, eu confiava no nosso amor, quase compramos aquele apartamento juntos, mas ao longo do caminho você decidiu por nós, parou de acreditar no nosso futuro e escolheu a vida de solteiro e os benefícios que ela te trazia. 

    — Mesmo que não acredite, eu também sinto por isso. Sinto por ter te deixado ir, e o que mais me dói é lembrar-me do seu rosto entrando naquele carro e indo embora com parte de mim.   

    — Acorda, não pode tentar me trazer de volta agora. Você nem imagina, mas naquele dia alguns vizinhos até bateram na minha porta para perguntar se estava tudo bem.                   
    — Eu nunca quis que você fosse embora.
                   
    — Você não me deixou escolha.   
                 
    — Eu odeio ter que imaginar você sozinha e perdida naquele quarto. Mas eu também não tive escolha, precisei te deixar ir. Ambos estávamos cansados e machucados. Não queria ter que acabar muito pior. Então, peço que não chore mais.

    — Foi a última vez sabe garoto? Eu chorei, chorei para valer, sofri e vivi o luto naquela noite. Olhava pela a janela a cada cinco minutos, acreditando que você tentaria mudar o enredo, que você a qualquer momento interfonaria pedindo para subir. Mas tudo que eu ouvi naquele dia, foi o meu silencioso choro. 
            
    — Eu sou um cara de sorte. Conheci o amor da minha vida. A mulher que me fez ser melhor, para mim mesmo e para o mundo. Por mais que você me odeie não posso deixa - lá ir. Não acho que poderei encontrar outro amor, tão grande ou tão intenso quanto o nosso.   

    — Eu te esperei por dias, semanas e até alguns meses. Mas depois de um tempo resolvi que daria uma chance para o amor próprio, sinto lhe dizer mais estamos juntos agora.     

    O garoto dos sons

    24 fevereiro 2017


    Aparentemente sem qualquer cansaço, ele corria desesperadamente. As pessoas sensíveis aos sons olhavam e o estrondo que saia de seu coração, era de alguém tocando uma nota ferozmente em um piano.


    Os dias passavam cada vez mais rápido, o garoto que outrora corria, decide caminhar para prestar mais atenção por onde seus pés estavam tocando. Ao diminuir o passo, automaticamente outra nota formara-se dentro dele. Com o tempo, viu que seu instrumento favorito havia se tornado parte de si.


    As melodias de suas pequenas notas semanais eram nutridas por seu estado emocional, por isso elas eram tão oscilantes. Ele sofria com sua bipolaridade, mas apesar do caos, ele florescia. Bem, para alguns a melhor forma de viver é existir no meio da bagunça e assim se encontrar.

    Depois de um tempo ele percebera que cada pessoa nascia com pelo menos uma coisa que a fazia ser totalmente sensível, algo que dava capacidade a ela de sentir o que nem todos conseguiam. Cada ser tem sua sensibilidade particular.
    Uns naturalmente sentem-se tocados por palavras lidas/ditas, outros por fotos e pela sensação de reviver novamente aquele momento registrado. No caso do garoto, ele facilmente se encontrava vulnerável quando ouvia as notas de outros corações, ele adorava sentir aquilo que as pessoas criavam com o tempo.


    Houve sons específicos, como de Cora; o coração era seu violino, e era tocado em uma casa onde existia vários cacos de vidros no chão, ela dançava sobre eles ao som da melodia. Não importava para ela se os pés sangrassem apenas continuava. Aquilo o tocara...  
                                                                                        
    Acontece isso quando esbarramos em alguém que partilha da mesma sensibilidade que temos. O que ela produz a partir de seus dias ruins ou bons, é capaz de entrar dentro nós e ir onde as coisas vazias não são capazes de chegar.

    O garoto dos sons se chama Philip!

    Eu, você e o tempo.

    12 janeiro 2015


    Se quiser pode apertar minha mão, segura ela e vem! Só precisamos ter coragem de nos aventurar em um mundo alheio, com essa força de vontade podemos alcançar  qualquer sonho. É só respirar fundo e ter coragem de enfrentar os medos, inseguranças, alegrias, conforto, aconchego, ciúmes, brigas e reconciliações. 

    Eu gostaria mesmo que as coisas dependessem do tempo, se fosse assim eu daria um jeito de ajustar a hora para o dia exato em que tudo isso começou, só para poder  fazer tudo de novo, quem sabe assim teríamos um enredo diferente. Qual será a hora certa? O tempo certo? Daqui a dois ou cinco anos? Será mesmo que vai ser igual? No mês que vem talvez? Em qual número a gente liga para reclamar se não der certo? Ainda não sei, mas acredito que não teremos ninguém para culpar caso tudo acabe, a não sermos nós mesmos. Não o obrigo, mas se decidir vir venha por completo, inteiro, com sonhos, conquistas, lembranças, qualidades e imperfeições. Nada disso será submerso se tiver muito respeito e amor envolvido. Seria muito injusto eu pedir pra que você fique? Mas não entenda como se eu quisesse que você desistisse dos teus sonhos. Não é isso, mas será que eu ainda vou ter algum espaço depois deles?

    E será que depois que eu terminar a faculdade e publicar um livro ainda vou te ter em mim? Preciso pedir desculpas por tantas perguntas, mas é assim que estou, com um ponto de interrogação enorme no peito. É nessa hora que bate aquela insegurança de termos tomado a decisão errada. Enquanto pago algumas contas e coloco a bagunça no lugar (não estou falando da bagunça do meu quarto), espero que o tempo te ajude a colocar as coisas no lugar também. Mas enquanto isso, não quero ter que recolher os cacos que sobrou de nós.         

    Você não está mais na minha vida, no entanto não posso negar que de vez em quando as lembranças me levam até você no intervalo de algum filme. Lembrar das vezes que nossas mãos se entrelaçavam e não havia necessidade de falar mais nada porque nossos olhares já faziam esse papel, me leva pensar que poderia ter sido diferente, poderia ter começado diferente.
    E se Deus te colocar de vez na mesma rua que eu não pense duas vezes, toque a campainha e me deixei um oi, assim vamos ter a chance de fazer tudo de novo sem nenhuma vértices do passado.


    May Mariano 

    Obrigada por estragar mais uma música

    31 agosto 2014


    Por algum motivo eu ainda insistia em escrever sobre você, talvez fosse involuntário, até porque na noite anterior a essa você estava mais inalcançável do que nunca. Era outra pessoa, um daqueles amores platônicos, que nunca me daria bola. E o pior de tudo é que gostaria de te falar tantas coisas. Meu orgulho não deixava, acredito que se soubesse daria um pouco mais de atenção para aquelas mensagens que eu mandava pela madrugada, ou não!

    No entanto consigo enxergar beleza nisso tudo e mesmo depois de tantos conflitos eu ainda tenho conteúdo para o blog, não posso me esquecer de te agradecer por isso em um futuro próximo, não só por isso, mas também por aqueles momentos que fomos o lado bom um do outro. Talvez desse certo, talvez as brigas cansassem de fazer armadilhas pra gente o tempo inteiro, mas agora nunca saberemos, até porque você fez a coisa certa.         

    Lá estava eu deitada na cama, com fones de ouvido e apenas a luz do abajur acesa, não conseguia me imaginar voltando ao inicio do jogo sem você, mas eu preciso ir, preciso ganhar e dessa vez sem você passando aquela fase difícil por mim. Todas essas perdas chegam junto a  minha independência e liberdade, agora faço minhas próprias escolhas e tomo minhas próprias decisões. A única coisa que me arrependo nisso tudo é de ter deixado você estragar as minhas músicas favoritas. E o fim? ah ele sempre vai acabar em um texto como esse e um gole de café.  

                                                                                                                                          May Mariano ♥

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