Cartas

28 dezembro 2017


“Há mais perigo em teus olhos do que em vinte espadas!” William Shakespeare


Olá, amor, como vais? Espero que bem, não bem!, ótima! Sei que estás a léguas de distância de mim, de vontade, anos-luz. A falta que me faz é a mesma que a de um alfaiate sem seu chapo. Saiba tu que já me desabo em saudade, em vontade. Estive, inclusive, procurando as rimas em liames das palavras terminantes em “ade”, mostrar-te-ei quando voltares de viagem, a qual considero longa e melancólica.

Em uma leitura qualquer, de curiosidade, tive a incrível descoberta que o ditado popular “quem não tem cão, caça com gato” está errada, por causa de uma confusão. A confusão se deu com a exclusão de um advérbio em prol de uma preposição, ao que se dá a entender que, na falta de um cão, um gato seria o substituto. Em verdade, o correto é “quem não tem cão, caça como gato”, ou seja, o gato, ao caçar, é um animal astuto e esgueiro, portanto, dever-se-ia caçar como ele.

Voltando. Saibas que a tua ausência me tira o controlo e direção, fico ao esmo, como se meu cérebro faltasse neurotransmissores para seu funcionamento genuíno.
Nessa vida longínqua ao meu amor, vou me virando com os afazeres, fingindo suportar as ausências dos teus abraços. Em suma, vou minorando a agonia.

Aqui é teu lar, não te esqueças nem por um segundo, estou esperando-te, contando os dias. A razão de isso tudo ser tão lindo assim somos nós, nossa capacidade indubitável de revigorar nossas vidas, de criar conexões outrora inimagináveis, essa força que impera sobre nós, e eu sinto cá e eu sei que sentes aí, é a mais alto expressão do nosso amor, a clarividência da nossa infinitude, do nosso porvir eterno.
Essa saudade irá findar-se e, depois, retornar-se, para que possamos, sempre, extingui-la, e se ela for muito grande, eu pego um avião e parto à tua direção.
Por fim, as coisas estão todas em seus adequados lugares, podemos, claro, recolocá-las em novos lugares, as aperfeiçoando.
Portanto, toda a lógica é centrada e imbricada em nós, mim e ti, como duas pessoas interligadas e, por conseguinte, fundida em um, uno!
Estou escrevendo às 4h da manhã de uma sexta-feira, amor, dessa forma, não estou racionalizando o que escrevo-te, todas as coisas me vêm e estão vindo de uma forma natural, como pensamentos amiúdes.

Que a força de nosso amor seja inquebrantável, indelével e base para tudo!


Eu te amo demasiadamente.



De teu homem.


Cadu Rodrigues 29/12/2017

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