Já é inverno

06 agosto 2018

                                                                                                            (foto: pinterest)

É ele. 

É ele, sempre foi ele.
Nós nunca fomos estranhos, já nos conhecíamos, por isso fluía tão naturalmente aquele “primeiro” encontro.           


É ele que me faz ficar com a cabeça longe, até alguém bater na porta do meu apartamento entregando a chave que deixei do lado de fora da porta quando entrei em casa. É esse cara que me faz mudar de ideia sobre o tão sonhado matrimônio, (algo que eu jamais pensaria na possibilidade se não fosse ele), fazendo com que todo aquele futuro louco e cheio de aventuras não chegasse nem perto da vontade que tenho de passar uma vida inteira ao seu lado.   
 
Sim, é ele que me faz acreditar que um dia ainda vamos ter uma casinha nas colinas com uma vista linda e instrumentos na varanda. Que me faz quebrar todas as regras, confessar para todas as amigas, o que se passa aqui dentro, quando nossos corações já se pertenciam mesmo antes de contatos físicos e linguagem corporal. Então foi fácil se reconhecer por esse mundão em meio a toda essa amnésia cotidiana. É ele sim. Faz-me pensar que nada fará tanto sentindo, como fez naquele dia, naquele inicio de verão. É ele que vem na minha cabeça antes de dormir me fazendo acreditar que também estou nos seus pensamentos, sendo eu a moça que hora ou outra talvez apareça nos seus sonhos.

É esse cara que está nos meus sonhos noturnos, nas minhas poesias mais bonitas, nos meus pensamentos diários.           
Que me faz quebrar todo o bloqueio criativo e me inspira a escrever. Não há duvidas, reconhecer está sendo algo constante – as portas do meu coração estão escancaradas para esse amor. 
Ele tem o abraço mais seguro, os beijos mais intensos e olhos de buraco negro (como ele mesmo costuma me dizer).
A nossa cidade é cheia de exceções, ele me ensinou a quebrar as regras e percebi que juntos não precisamos delas.           

Afinal não era uma corrida, era um reencontro.
 



Ela é intensa demais

22 fevereiro 2018

                                                                      (foto: Pinterest)

Excesso é sua praia.            

Essa moça é cheia de exageros – os exageros mais positivos que eu já vi.             

Ela nunca será a calmaria que você pede, ela é vento forte, é onda que te arrasta.  Não conseguiria ser menos nem que se esforçasse muito. Seu coração não é morno, bate forte e falta saltar pela a boca. Ela é quente. É a chama que muitos procuram.       

Ela tem coragem. Não teme que os planos falhem, seu único medo é não tentar. Ela dá tiros no escuro, porque sabe que no final mesmo que saia pela a culatra não haverá arrependimentos. Isso é o que ela é.  Mas é claro que hora ou outra os impropérios são resultados na mesma freqüência. Ela até coleciona dias ruins de vez em quando – bem de vez em quando mesmo. Não se permite muito. 

Já confundiram seus exageros; já tentaram pará-la, afinal ela odeia os joguinhos e provavelmente nunca será um desafio. Ela não vai mentir sobre não estar a fim de sair com você, só pra que tente conquistá-la. Ela não vai visualizar e responder horas depois, só pra provar que não está tão a fim assim de você. Essa moça é inteira – é companhia.             

Essa mulher não deixa assuntos inacabados para depois, não dá tempo pra procrastinações, ela resolve. É convicta mesmo quando o tempo é de maré ruim. Também chora, fica triste, pensa que as coisas não vão dar certo. Porém ela caminha enquanto espera e não para de primeira. Ela agüenta firme.           
Ela é o caos e a calmaria na mesma freqüência. É uma festança pra aceitar tão pouco. E só fica com ela quem estiver em festa também, só fica quem está disposto a burlar o sistema. Chega de ser a regra, nessa cidade só cabe quem quer ser exceção. 


Foi sem o teu amor que eu aprendi

09 fevereiro 2018

                                                                       (foto: pinterest)

Foi sem o teu amor, que eu aprendi. Com o passar dos anos, a gente aprende tanta coisa quanto ao sentir, tanta coisa ruim. Se um garoto te empurra na escola, quando você tem apenas seis anos, a primeira coisa a se ouvir é: "Esse garoto faz coisas horríveis porque está a fim de você". Como assim, a fim de você? Esse é o problema. Com isso, nós somos encorajadas, programadas a aceitar um amor líquido. Acreditando que, se alguém manifesta os tais ‘joguinhos', é porque esse cara tem uma ‘queda’ por você. Não adianta procurar sinais. Se ele estiver a fim, você irá saber.

O teu amor me ensinou a ser abrigo de mim mesma. Até que um dia, eu pude acordar sem te perceber e comecei a me perceber. O teu medo me fez lembrar o quão corajosa eu sou. A partir daí, precisei voltar pra casa sozinha, mesmo sem saber a rota. Afinal, era você quem guiava o caminho o tempo todo.  Sem o teu amor, eu precisei me segurar em algo e perceber que contar até três não faz passar. E cada dose homeopática que eu tomava só me fazia entender que você não me amava: você amava o meu amor por você. Esse fim me mostrou que de nada adianta o enigma do amor – ele é um mito. Não o amor: o enigma. Afinal, não precisa ser difícil. Você apenas sabe que é, sem ler as entrelinhas, sem procurar sinais. Esse amor me ensinou que o jeito não era esquecê-lo. Eu jamais teria essa funcionalidade.  O certo era não priorizá-lo mais.

Eu entendi que a hora que eu marcava comigo, era só comigo, e você não precisava mais estar lá. E talvez o maior dos aprendizados fosse resistir e permanecer forte ao fim.
Obrigada por aquela frase: "Você merece um amor tão intenso quanto o seu". Foi nesse momento que eu entendi que realmente ali não era mesmo o meu lugar. Estava na hora de ser ponto final. 
Obrigada por ter ido embora.

Cartas

28 dezembro 2017


“Há mais perigo em teus olhos do que em vinte espadas!” William Shakespeare


Olá, amor, como vais? Espero que bem, não bem!, ótima! Sei que estás a léguas de distância de mim, de vontade, anos-luz. A falta que me faz é a mesma que a de um alfaiate sem seu chapo. Saiba tu que já me desabo em saudade, em vontade. Estive, inclusive, procurando as rimas em liames das palavras terminantes em “ade”, mostrar-te-ei quando voltares de viagem, a qual considero longa e melancólica.

Em uma leitura qualquer, de curiosidade, tive a incrível descoberta que o ditado popular “quem não tem cão, caça com gato” está errada, por causa de uma confusão. A confusão se deu com a exclusão de um advérbio em prol de uma preposição, ao que se dá a entender que, na falta de um cão, um gato seria o substituto. Em verdade, o correto é “quem não tem cão, caça como gato”, ou seja, o gato, ao caçar, é um animal astuto e esgueiro, portanto, dever-se-ia caçar como ele.

Voltando. Saibas que a tua ausência me tira o controlo e direção, fico ao esmo, como se meu cérebro faltasse neurotransmissores para seu funcionamento genuíno.
Nessa vida longínqua ao meu amor, vou me virando com os afazeres, fingindo suportar as ausências dos teus abraços. Em suma, vou minorando a agonia.

Aqui é teu lar, não te esqueças nem por um segundo, estou esperando-te, contando os dias. A razão de isso tudo ser tão lindo assim somos nós, nossa capacidade indubitável de revigorar nossas vidas, de criar conexões outrora inimagináveis, essa força que impera sobre nós, e eu sinto cá e eu sei que sentes aí, é a mais alto expressão do nosso amor, a clarividência da nossa infinitude, do nosso porvir eterno.
Essa saudade irá findar-se e, depois, retornar-se, para que possamos, sempre, extingui-la, e se ela for muito grande, eu pego um avião e parto à tua direção.
Por fim, as coisas estão todas em seus adequados lugares, podemos, claro, recolocá-las em novos lugares, as aperfeiçoando.
Portanto, toda a lógica é centrada e imbricada em nós, mim e ti, como duas pessoas interligadas e, por conseguinte, fundida em um, uno!
Estou escrevendo às 4h da manhã de uma sexta-feira, amor, dessa forma, não estou racionalizando o que escrevo-te, todas as coisas me vêm e estão vindo de uma forma natural, como pensamentos amiúdes.

Que a força de nosso amor seja inquebrantável, indelével e base para tudo!


Eu te amo demasiadamente.



De teu homem.


Cadu Rodrigues 29/12/2017

Ele com certeza não era o amor da minha vida.

28 novembro 2017

(foto: pinterest)
Não parece amor, não nos olhamos e nos conectamos da primeira vez que nos vimos. Não nos conhecemos enquanto esbarrávamos um no outro na balada. E ele não quis me pagar um drink quando por acaso conversamos naquele bar, afim de interesses posteriores.
E eu não senti algo diferente quando nos vimos pela quarta vez, nem quis beija-lo ou tocar suas mãos na décima vez que nos encontramos. Costumo falar que as coisas entre a gente foram gradativas, sem beijos apaixonados logo de cara, sem olhares fugazes daqueles que costumam nos ler por dentro.

Sem nenhum sentimento exacerbado que se cria no primeiro encontro.
O cara do bar, com certeza não é o cara dos meus sonhos, não corresponde nenhuma das minhas tolas idealizações de “homem perfeito”, e ele de fato não faz esforço nenhum para isso.
O que o faz alguém muito mais especial do que se quisesse me impressionar e por fim mudar sua essência por alguém tão humano quanto ele. Mas quer saber? Com o tempo a gente aprende que não existe ninguém perfeito. 

Quanto mais eu conheço o moço do bar, mais percebo o quanto ele está distante do que idealizei a vida inteira. Mas tudo bem, ele não precisa ser quem eu quero, muito menos quem ele não é.  E em meio a toda essa contradição fluímos.
Nada de especial eu  ainda pego ônibus lotado de mal humor nas segundas-feiras, não me preocupo em me arrumar um pouquinho mais para o caso de nos esbarrarmos e muito menos fico esperando por mensagens dele.

Costumo dizer para os meus amigos que me permitir no que vivemos, foi um devaneio enquanto a vida tomava o controle de tudo. Não foi amor, não é amor, e eu espero que a gente só se dê conta disso em um futuro do qual, ambos tenham força suficiente para abraçar o propósito.
Foi diferente, foi mais que amor, foi olhar em direções opostas e ainda assim dar atenção para o que era de fato bom. Foi ouvir e falar sobre trabalho e coisas chatas que a maioria das pessoas costuma ignorar nos primeiros encontros. Mas foi apenas isso.

Ele com certeza não tinha “nada haver” comigo. Mas de fato isso foi o que me atraiu, estava cansada de paixões mentirosas. No entanto, a nossa contradição começava a aparecer nas noites sem sono, nas músicas que me apresentava, no cheiro de casa limpa.

E o fato de não romantizarmos o amor, não nos fez imperfeitos um para o outro. Posso estar sendo redundante, mas nos acostumamos com paixões intensas, amores a primeira vista e todos aqueles sentimentos que em uma maioria predominante é mentiroso e ilusório.
O amor passou de escolha, a um sentimento frágil, do qual  a gente assiste nos filmes e se concretiza na literatura romanesca. Esbarramos-nos trilhões de vezes até por fim permitir que o que ainda não é amor, talvez se torne.
Não teve nada de especial, não foi romântico nem intenso, mas foi completamente honesto.

O “romance” que eu achei ser apenas um encontro, foi consolidado em nós.  Eu não precisei sentir aquela saudade louca, não precisei olhar o celular a cada cinco minutos a espera de um “boa noite”. Não precisei tornar o que tínhamos de bom em um sentimento doente. Até porque os momentos juntos eram uma carga tão positiva que supria qualquer migalha que eu poderia me submeter.

Dia desses, o moço do bar me perguntou se dois corações poderiam ter a mesma batida, na hora confesso não ter muito o que responder.  Mas hoje digo, podemos ser a maior contradição, eu com meu coração jovem optar por sair e fazer programas não muito agradáveis, e ele com um coração experiente preferir um fim de tarde ao pôr do sol. Quanto durou esse amor, que não não era amor? Não faço ideia, não me atentei aos dias. Mas estou certa que durou suficiente para ambos.

No entanto isso só me conclui que dois corações podem não bater de forma igual. Mas é completamente possível estar no mesmo ritmo. Isso se chama harmonia.



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