A Menina dos Olhos - capítulo II

26 março 2017

Foto:Tumbrl
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Alguns meses se passaram e as conversas só aproximavam um do outro, fazendo  com que toda manhã fosse um recomeço, o coração dele conhecia mais dela todos os dias. Compartilhavam muitos objetivos, até que Laura o conta sobre uma viagem que faria ao Rio de Janeiro, a cidade preferida dele no mundo inteiro, o que resultou que Kaio pode ajuda - lá antes e durante a estadia dela por lá. Desde as compras das passagens até os pontos turísticos que visitaria, tendo sua opinião sempre.
Após esse momento, as conversas se tornaram mais fortes e consolidadas. Se atraim por serem parecidos e se conheciam por conhecerem a si mesmo tão bem. Tudo caminhava como ele esperou que fosse, mas em contrapartida chegou o dia em que ela precisou contar algo que o deixaria chocado. Sim, o coração dela pertencia a outro rapaz, pelo menos era o que ela acreditava naquele momento. Kaio não sabia o que fazer, precisou respirar fundo, pensar em tudo que tinha acontecido, até porque todos os momentos que tiveram, independente de terem sido simples foram marcantes para a vida de ambos. A impressão era que o mundo do qual os dois construiram juntos, silênciou por algumas horas, até entenderem o que estava acontecendo.

00h47 — Laura? Está acordada?
00h48 — Sim, não consigo dormir.
00h48 — Como tudo isso aconteceu? — Kaio falava a respeito da ultima conversa.       

00h49 — Eu não consigo explicar Kaio, as coisas simplismente foram acontecendo ao natural, sabe?
00h50 — Sim, eu sei.
00h50 — E o que passa em sua cabeça agora?    
00h51 — Estou pensando se tudo o que vivemos foi mesmo real — logo Kaio voltou ao pensamento inicial, como se fosse apenas um sonho de verão. 

Amei cada instante ao seu lado, o jeito como você me respondia através de áudios, sendo a garota mais gentil do mundo, a forma como nossos olhares se encaixavam, o seu sorriso largo que eu fazia questão de ressaltar em todos nossos momentos, sua companhia que sempre me pareceu o melhor lugar para se aconchegar, as suas mensagens de bom dia que me faziam esquecer qualquer conflito interno que eu pudesse ter... Ouvi em algum lugar que o silêncio é o barulho da mente e acho que é exatamente isso que está acontecendo comigo agora. E você o que está pensando?  
00h59 — Penso que preciso me mudar de você. Mas eu não quero!        — ela disse com uma profunda tristeza no peito. — Passei a semana reescrevendo esse dialogo na minha mente. Não queria que nenhum de nós saísse machucado. Pensei tanto que acabei tendo um sonho incomum. Sonhei que nos reencontrávamos depois de alguns anos, você estava super bem, e sorria bastante. Por fim, percebemos que havíamos esperado demais.
01h00 — Tudo bem Laura. Seguiremos em frente, deixando que a vida nos ajeite. Torço para que o universo arranje um jeito de fazer com que nos esbarremos por ai. E se por acaso você passar alguma vez pela a rua do meu coração, não êxite em tocar a campainha, eu prometo fazer de tudo para que você fique.   — Ele falou sem questionar, sem colocar nenhum respaldo para que ela mudasse de ideia quanto a deixa-lô.
Kaio não conseguia sentir muita coisa, mas ele corou sozinho e quando percebeu deixou um sorriso meio torno escapar, sendo esse sorriso o simbolo da esperança que carregava dentro dele.           
01h17 — Até breve Kaio.

E partir desse dia decidiram não conversar mais, por motivos óbvios.

Fatos Sobre Ela

19 março 2017

Foto: Pinterest
O dia era frio, era ventania e era fim de tarde. Bela se encontrava no meio de tudo aquilo. Tinha sorriso no rosto, mas em contrapartida, sem querer, me apresentou a uma tempestade no coração.
Ela era como um labirinto sem fim, do qual todos os dias eu travava batalhas para desvendá-lo. Algumas manhãs eu avançava outras retrocedia. Um dia eu a conquistava no outro machucava seu coração, que por sinal já havia sido quebrado mais vezes do que se podia imaginar. Logo, fui o culpado da sua insônia.

— Perdoe-me Bela. Eu posso ouvir a tristeza em seus batimentos cardíacos, o som que vem de dentro só ressalta o quão insensível sou. Falhei, sim eu falhei na missão de protegê-la de si mesma.

Ela não acreditava mais no amor, dizia que era impossível ele acontecer.  Se apegou tanto, que acabou se afogando em meio a tantas frustrações. Quis ser menor para caber no peito de alguém que jamais a cuidaria, alguém que já havia decidido partir mesmo antes de chegar. Quis acreditar em amores que não a pertencia, acreditou no que seus pais sentiam um pelo o outro, acabou. Acreditou no amor de dois amigos intensamente apaixonados, acabou. Acreditou até no casal que se olhava em meio ao café da manhã na padaria, semanas depois o rapaz entrou de mãos dadas com outra, acabou antes mesmo de começar.

Bela parecia estar desligada do mundo. Não que ela fossem assim desde sempre, mas ultimamente precisará ler no minímo umas 3 vezes o parágrafo daquele romance (e isso não é uma metáfora) pelo o simples fato de não conseguir se concentrar.
Ao seu lado meu coração acelerava e eu sentia como se qualquer pessoa que se aproximasse pudesse ouvi-lo, o que me fazia sentir um pouco aflito.
Que saber moça, para ser honesto você me ajudou a melhorar, me mostrou um mundo do qual vale a pena viver com alguém, um mundo com propósitos e objetivos, do qual outrora não passava de aventuras perigosas, fugacidades momentâneas e pessoas vazias. Você foi a resposta das perguntas que nem eu sabia que tinha.           

— Você ainda não entende, mas eu amo você.

A Menina dos Olhos - Capítulo I

11 março 2017


“Não posso negar que ainda tenho um sentimento enorme dentro do peito. Apesar de todo esse tempo que passamos longe, a saudade continua, desde o dia que deixei você ir. Eu logo precisei ir também. Eu saí de casa, conheci várias garotas, tentei amar — mas não foi como o esperado, me formei na faculdade, consegui um emprego incrível, comecei a morar sozinho, me desprendi de várias inconstâncias, mas ainda assim vivia como se faltasse um pedaço de mim”.
— Kaio.

Kaio acabara de chegar dos Estados Unidos, onde havia tido experiências incríveis. Ele não esperava dar a sorte de ser convidado para um acampamento, no qual ele não fazia ideia do que o esperava. Despediu-se dos pais, recebendo a benção dos mesmos e assim entrou no ônibus para o tão esperado acampamento. O rapaz era um tanto quanto tímido na frente de pessoas que não conhecia. Sentou-se ao lado de uma senhora no ônibus e com isso mantivera-se calado até chegar a uma das paradas em um restaurante, antes do seu destino final – o acampamento.

Ao tempo que os quilômetros iam sendo percorridos Kaio se deu conta que não parava de observar uma moça sentada na primeira cadeira do ônibus. Ela tinha cabelos escuros, era de baixa estatura (o que fazia com que o banco do ônibus parecesse grande demais para ela), seus pés mal tocavam o chão, logo os colocou em cima do banco, ao contrário dele ela parecia está bem familiarizada com o pessoal. E o que ele mais percebia era a cena do sorriso largo que ela soltava em quanto surgiam às piadas em grupo. Kaio tivera vontade de sorrir por isso, no entanto sua timidez não deixava, então se conteve por dentro, afinal não conhecia ninguém direito e nem imaginaria que aquele sorriso faria algumas mudanças dentro dele.

O acampamento chegou ao fim, e durante todo o final de semana, não tiveram nenhuma oportunidade de se aproximarem, o que fez com que Kaio saísse dali com alguns questionamentos – será que não é apenas um reflexo daqueles filmes em que assistíamos durante a adolescência? Do qual conhecemos alguém especial e por medo e insegurança escondemos o que sentimos.

Alguns dias, semanas, meses se passaram e Kaio continuara a lembrar da “menina dos olhos” – é assim que ele costumava chama - lá. E por incrível que pareça ele sabia as reuniões que ela freqüentava, logo sabia onde encontra-lá. Até que decidiu tentar ir atrás do “grande talvez” dele. Kaio se aproximou dos amigos de Laura, na expectativa que em algum desses encontros acabassem se conhecendo. Mas não deu muito certo, então se permitiu esperar na vida e no tempo natural das coisas. Continuou a freqüentar as reuniões que ela estava, afinal, ele gostava do lugar e do ambiente. Sempre a observava. E o que mais o atraia nela, era a forma com que cuidava das coisas, as atitudes dela o fascinavam, era muito bom para os olhos. Estava sempre cedo por lá, organizando as cadeiras, conferindo se as pessoas que havia convidado tinham chegado e tudo aquilo fazia com que o coração dele ficasse orgulhoso, mesmo não a conhecendo. Tudo o que ele previa parecia mais solido a cada encontro, ela era alegre, divertida, com um senso de humor incrível, com um caráter brilhante e sempre dedicada a tudo aquilo que fazia.

Felizmente para Kaio houve uma dessas reuniões em que havia poucas pessoas, e para sua sorte, Laura estava lá também. Ele podia sentir o cheiro agradável dos lindos cabelos longos dela. Blusa branca e calça jeans, a combinação perfeita da simplicidade que ele enxergava nela. Deus só podia ter caprichado muito nessa garota. O mundo parecia está em câmera lenta agora, passando uma trilha sonora que apenas ele escutava.

Tirou de dentro de si uma força que jamais imaginara ter, passou por cima da vergonha e das inseguranças e foi. Ele sabia que a vida tinha preparado o melhor momento para isso. Não foi uma conversa muito longa mas foi suficiente para perceber que todo o sacrifício que podia vir pela frente seria vencido, pela pessoa incrível que ela era. Trocaram telefone e começaram a conversar diariamente, ele conheceu a pessoa mais incrível que a vida o poderia apresentar, começou a ver quem ela era de verdade, e quer saber? Ela era incrível, não se importava em passar horas e horas conversando sobre música, faculdade, planos pro futuro, objetivos e comida. Ela não se incomodava se ele a pedisse pra ficar mais um porquinho. Os dois desenvolviam uma sintonia incrível. Ele não se importava em receber um milhão de fotos e escolher uma para que ela postasse. Não se importava em ficar até de madrugada rindo de coisas bobas, fazendo rima e mandando um para o outro.

Aproveitava cada momento, mesmo que pouco ao lado dela, cada palavra que digitava, cada áudio - aproveitava tudo. Tinha prazer em ouvir sobre ela. E tudo era muito bom, até pegar ônibus lotado em plena segunda-feira, abrir a linha do tempo e a primeira postagem ser uma foto dela, chegar em casa cansado da faculdade, pegar o celular, sentar na cama, perguntar como havia sido o dia dela e passar horas ali em um momento só deles. Chama-lá de linda sem esperar elogios de volta, falar bobagens e esquecer o quão dificil havia sido o dia de ambos. 

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Você não precisa soltar a minha mão

01 março 2017

Foto: Pinterest
Eu gostaria que você fosse mais sensível ao ponto de me levar para aquelas baladas de sexta a noite, mesmo eu odiando a música alta, a bebida e o cheiro de gente vazia. Gostaria que não soltasse da minha mão e nem fugisse, quando o meu posicionamento voltasse para você de forma negativa – mesmo não sendo.

Eu gostaria que fosse sensível ao ponto de aparecer no meio da noite só para dizer o quanto eu estava linda, mesmo com aquele pijama surrado que minha mãe já tentou mandar para doação no mínimo umas trezentas vezes. E mesmo com a rotina maçante que você leva, não tenha motivos para ficar em casa. Eu gostaria que não desistisse de nós quando eu mesma propus isso, em uma tentativa fracassada de encerrar a discussão. 

Eu gostaria que não se esquecer-se de mim quando estiver no bar com os amigos e outra moça se aproxima na intensão de “Flertar” com você, porque o único motivo de seus olhos brilharem, sou eu. Eu quero que me ame na distância, mesmo que meu cheiro e meu toque pareçam inalcançáveis.

Eu gostaria que não encarasse minhas propostas para o futuro como se amarrar, até porque ainda temos muito tempo até lá. Quero que esteja no nós, mas ainda assim se sinta livre. Que reconheça meus talentos mesmo que eu não os coloque na vitrine da vida. Desejo que sonhe comigo, que busque comigo, que viva comigo e que juntos possamos comemorar as grandes conquistas. 

Eu gostaria que fosse você, aquele cara sensível que investe em bons diálogos. Que não se importa em ler todos os meus textos na expectativa de encontrar muito de nós por lá, apontando cada parte que lembra você. Desejo que continue aqui não apenas por costume, mas que cada saída te faça lembrar do quão especial somos um para o outro.  

Eu gostaria que você fosse a única pessoa do mundo que me faz desentalar o choro quando ele está preso na garganta. Que me ama fugazmente e me defende de mim mesma.


O garoto dos sons

24 fevereiro 2017


Aparentemente sem qualquer cansaço, ele corria desesperadamente. As pessoas sensíveis aos sons olhavam e o estrondo que saia de seu coração, era de alguém tocando uma nota ferozmente em um piano.


Os dias passavam cada vez mais rápido, o garoto que outrora corria, decide caminhar para prestar mais atenção por onde seus pés estavam tocando. Ao diminuir o passo, automaticamente outra nota formara-se dentro dele. Com o tempo, viu que seu instrumento favorito havia se tornado parte de si.


As melodias de suas pequenas notas semanais eram nutridas por seu estado emocional, por isso elas eram tão oscilantes. Ele sofria com sua bipolaridade, mas apesar do caos, ele florescia. Bem, para alguns a melhor forma de viver é existir no meio da bagunça e assim se encontrar.

Depois de um tempo ele percebera que cada pessoa nascia com pelo menos uma coisa que a fazia ser totalmente sensível, algo que dava capacidade a ela de sentir o que nem todos conseguiam. Cada ser tem sua sensibilidade particular.
Uns naturalmente sentem-se tocados por palavras lidas/ditas, outros por fotos e pela sensação de reviver novamente aquele momento registrado. No caso do garoto, ele facilmente se encontrava vulnerável quando ouvia as notas de outros corações, ele adorava sentir aquilo que as pessoas criavam com o tempo.


Houve sons específicos, como de Cora; o coração era seu violino, e era tocado em uma casa onde existia vários cacos de vidros no chão, ela dançava sobre eles ao som da melodia. Não importava para ela se os pés sangrassem apenas continuava. Aquilo o tocara...  
                                                                                    
Acontece isso quando esbarramos em alguém que partilha da mesma sensibilidade que temos. O que ela produz a partir de seus dias ruins ou bons, é capaz de entrar dentro nós e ir onde as coisas vazias não são capazes de chegar.

O garoto dos sons se chama Philip!

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